Mulher de Amigo Meu… Já Sabe, Né?

Por Beto Pacheco

Uma amiga virou para mim e perguntou: “Beto, como funciona esse negócio de ‘mulher de amigo meu pra mim é homem’?” Gente, quase saí correndo. Eu, realmente, não sabia o que dizer. Fiquei meio bobo, proferindo algumas interjeições sem sentido, ah, er, dã, hum, e procurando algum lugar onde eu pudesse enfiar a cabeça, tal qual avestruz, e sumir. Se a gente já foge de discussão de relacionamento com namorada, mesmo tendo interesse no resultado, imagina com amiga… é muito pra cabeça.

Depois fiquei pensando: mas não é óbvio o porquê de dizer tal coisa? Você tem de ter certo pudor com relação à mulher alheia. É quase como um contrato social, poxa vida! Não mexe no meu que eu não mexo no teu. É, no mínimo, uma questão de civilidade. Sem falar que é um respeito aos amigos. Afinal, você bem sabe, pois é algo muito divulgado e comprovado em avançadíssimos laboratórios, que a fidelidade masculina – no que diz respeito à amizade – é muito mais sólida. Não?

Expliquei isso à minha amiga, que completou: “Mas o que eu quero saber sobre isso é: e quando o relacionamento já acabou e a mulher do amigo já passou a ser ex-mulher do amigo?” Ah bom! Só diz isso agora… Porém, não tive chance de prosseguir porque ela emendou: “Não entendo isso que os homens sentem pela ex-namorada. Se fosse uma amiga minha a fim de um ex-namorado meu, eu daria o maior apoio”. Peraí, peraqui, peralá! Como assim, daria o maior apoio? Fiquei confuso. Será que as mulheres são tão desapegadas assim? Será que nós, homens, é que não conseguimos entender que quando uma coisa acaba, ela acaba e ponto? Elas não ficam com nenhuma pontinha de ciúme, raiva, incômodo ou qualquer coisa que o valha?

Comentei isso tudo, essas minhas angústias e dúvidas com relação à diferença de sentimentos pós-namoro, e ela disse “Não, a gente praticamente não liga mais depois”. Ah, parei!

O homem, posso falar, pois convivo com a mente (pelo menos com a minha mente) masculina já há algum tempo, é um ser competitivo por natureza. Desde que o mundo é mundo é assim. Senão, vejamos. No tempo das cavernas, o homem de Neandertal chegava próximo à moça, dava-lhe uma paulada na cachola e arrasta a pobrezinha na marra para os seus domínios – e acho isso um absurdo, é bom ser dito, só estou descrevendo fatos históricos. Continuando, ele a levava para “casa” e ela ficava por lá, sem saber o que estava acontecendo (afinal, toma uma traulitada na cabeça pra ver se você se lembra de alguma coisa), até que aparecia um outro Neandertal qualquer, com um tacape maior, e, catapimba!, empacotava a moça de novo. Daí a arrastava para outra caverna e o processo seguia. O troço estava mais para rixa de cortiço que para relacionamento propriamente dito. Portanto, o homem criou um sentimento de posse que permaneceu incrustrado em seus genes. Felizmente, anos e anos mais tarde, as mulheres tacaram fogo nos sutiãs e se libertaram do julgo machista. E a mulher de Neandertal inventou o capacete.

A questão é que, hoje em dia, essa disputa tomou contornos extras, pois há uma série de normas e costumes sociais que não permitem que a briga se dê na base do porrete – ainda bem. Por conta disso, foi necessário criar-se um contrato, não assinado, mas respeitado, que deixa evidente que a mulher do outro é intocável. Ou seja, é homem.

Se bem que, para a turma da bandeira colorida, esse pensamento pode gerar alguma confusão. É, meus caros, nada como o passar do tempo para que haja mudança de costumes… e de expressões idiomáticas inteiras também.

Beto Pacheco é jornalista por formação, músico por vocação e cronista por paixão. Tem textos premiados e escreve diariamente crônicas e artigos – sempre com uma pitada de humor, que é o que faz a vida valer a pena.

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