Barbárie

O que fazer quando um homem completamente privado de qualquer sentimento de compaixão entra em uma escola e mata crianças a total sangue-frio? Como…

O que fazer quando um homem completamente privado de qualquer sentimento de compaixão entra em uma escola e mata crianças a total sangue-frio? Como expressar a dor que sente toda uma população diante de uma barbárie de tal proporção? Segundo os noticiários, o atirador escolheu suas vítimas, as encurralou e mirou em regiões letais do corpo, para garantir que todas morressem; ele não atirou ao sabor do impulso, no primeiro vivente que lhe fosse visível, ele calculou cuidadosamente quem ele queria matar.

Então resta a pergunta: Por quê?Analisando friamente, a maioria de suas vítimas eram meninas, ou seja, se vingava daquelas que o rejeitaram e todo esse blá blá blá. Acho muito válido que se bata na tecla do bullying, como já comentei aqui antes, mas não em um caso tão estupidamente cruel como esse; existe uma diferença gritante entre o garoto que defendi há algumas colunas atrás por agredir de volta seu agressor e esse homem que sequer consigo atribuir adjetivos à altura atirando inescrupulosamente em crianças indefesas.

Não sou exatamente contra análises psicológicas sobre o perfil desse homem, podem ser válidas para evitar outros casos inclusive, mas não creio que aqui caiba um debate sobre os traumas que o levaram a essa atrocidade. Não importa o quão vítima ele possa ter sido no passado; nada, absolutamente nada, justifica os fatos ocorridos nessa escola do Rio de Janeiro. Para quem foi vítima de bullying (como já relatei ter sido meu caso) soa até ofensivo tentar justificar o crime como consequência da agressão moral de outros tempos, porque nem eu nem a esmagadora maioria de “adultos traumatizados” pegaríamos em armas para matar crianças como vingança, sequer os próprios responsáveis pelos traumas entrariam no alvo de uma ira criminosa como essa.

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Estando esse homem morto, e certamente sem fazer qualquer falta à sociedade, não interessa mais analisar sua vida, seu passado de rejeição óbvia pelas meninas (ninguém disse que é fácil ser rejeitado por pessoas que nos atraem, mas esse sentimento é experimentado pelo menos uma vez na vida por 100% das pessoas) ou possíveis transtornos emocionais (e mais uma vez uma ofensa aos portadores de distúrbios ou transtornos de ordem emocional que convivem pacificamente em sociedade), esse é homem é pura e simplesmente um assassino. Não houve qualquer tipo de vingança, ou “justiça com as próprias mãos” no seu caso, somente mortes desnecessárias, somente o derramamento de sangue inocente.

Meus sinceros sentimentos não somente às famílias das vítimas, mas a toda nossa sociedade brasileira, que testemunhou a barbárie com o coração apertado e o nó na garganta. Nos resta orar por essas famílias, independente da fé da cada um, e torcer que um fato tão dolorosamente chocante não volte a abalar nossas estruturas de nação civilizada.

Maya Falks

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

Contato: [email protected]

Blog: www.mayafalks.blogspot.com

 

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