Barbárie

Barbárie

Redacao 19/04/2016 Colunas

O que fazer quando um homem completamente privado de qualquer sentimento de compaixão entra em uma escola e mata crianças a total sangue-frio? Como expressar a dor que sente toda uma população diante de uma barbárie de tal proporção? Segundo os noticiários, o atirador escolheu suas vítimas, as encurralou e mirou em regiões letais do corpo, para garantir que todas morressem; ele não atirou ao sabor do impulso, no primeiro vivente que lhe fosse visível, ele calculou cuidadosamente quem ele queria matar.

Então resta a pergunta: Por quê?Analisando friamente, a maioria de suas vítimas eram meninas, ou seja, se vingava daquelas que o rejeitaram e todo esse blá blá blá. Acho muito válido que se bata na tecla do bullying, como já comentei aqui antes, mas não em um caso tão estupidamente cruel como esse; existe uma diferença gritante entre o garoto que defendi há algumas colunas atrás por agredir de volta seu agressor e esse homem que sequer consigo atribuir adjetivos à altura atirando inescrupulosamente em crianças indefesas.

Não sou exatamente contra análises psicológicas sobre o perfil desse homem, podem ser válidas para evitar outros casos inclusive, mas não creio que aqui caiba um debate sobre os traumas que o levaram a essa atrocidade. Não importa o quão vítima ele possa ter sido no passado; nada, absolutamente nada, justifica os fatos ocorridos nessa escola do Rio de Janeiro. Para quem foi vítima de bullying (como já relatei ter sido meu caso) soa até ofensivo tentar justificar o crime como consequência da agressão moral de outros tempos, porque nem eu nem a esmagadora maioria de “adultos traumatizados” pegaríamos em armas para matar crianças como vingança, sequer os próprios responsáveis pelos traumas entrariam no alvo de uma ira criminosa como essa.

Estando esse homem morto, e certamente sem fazer qualquer falta à sociedade, não interessa mais analisar sua vida, seu passado de rejeição óbvia pelas meninas (ninguém disse que é fácil ser rejeitado por pessoas que nos atraem, mas esse sentimento é experimentado pelo menos uma vez na vida por 100% das pessoas) ou possíveis transtornos emocionais (e mais uma vez uma ofensa aos portadores de distúrbios ou transtornos de ordem emocional que convivem pacificamente em sociedade), esse é homem é pura e simplesmente um assassino. Não houve qualquer tipo de vingança, ou “justiça com as próprias mãos” no seu caso, somente mortes desnecessárias, somente o derramamento de sangue inocente.

Meus sinceros sentimentos não somente às famílias das vítimas, mas a toda nossa sociedade brasileira, que testemunhou a barbárie com o coração apertado e o nó na garganta. Nos resta orar por essas famílias, independente da fé da cada um, e torcer que um fato tão dolorosamente chocante não volte a abalar nossas estruturas de nação civilizada.

Maya Falks

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

Contato: [email protected]

Blog: www.mayafalks.blogspot.com

 

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