Trauma: Como Lidar com Isso

De acordo com o dicionário, uma das definições para trauma é a seguinte: “choque violento que pode desencadear perturbações várias.” Uma definição ampla o bastante para que a conclusão não seja das melhores: ninguém está absolutamente livre de tê-los.

Uma má notícia para muita gente que gostaria de crer no contrário, mas a verdade é que este não é o caso: há inúmeros acontecimentos dispostos a causar um grande impacto. Em entrevista ao portal IG, o psicólogo Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da USP, Julio Peres afirmou que a maioria das pessoas já sofreu ou sofrerá uma situação potencialmente traumática, seja em um ato único ou pequenas situações que despertam sofrimento ao longo do tempo.  Porém a intensidade com que isso lhe atinge e a forma com a qual você é capaz de enxergar e lidar com isso faz toda a diferença.

Traumas e intensidades

Na vida há diversas formas de trauma. Desde aquilo que pareça mais brando, como o simples ato de crescer, quanto os males modernos que resultam em perda de paz e uma sensação de insegurança quase permanente. Ainda há na lista as inevitáveis perdas, seja algo emocional e de curta duração quanto aquilo que é irremediável.

Alguns destes traumas, especialmente as perdas, podem parecer impossíveis de suplantar ou de conviver porém a vida segue. Alguns notam isso mais cedo, outros só se dispõem a lutar por algo mais tarde e as armas para isso são variadas. Porém, estas só terão um sentido a partir do momento em que você acredita haver um remédio.

O caminho de volta: superar

Segundo o autor, este tipo de situação pode significar uma espécie de despertar: novos comportamentos, atitudes e reflexões que mudam a vida drasticamente. É comum dizer que quem sai de um trauma acaba ficando mais forte, como se aquele episódio houvesse ensinado muito, ainda que da pior forma possível.

Mas claro, para que a superação aconteça é preciso começar e para ele o meio mais eficiente para isso acontece a medida que a pessoa consegue expor suas dores sobre o acontecido e consegue falar sobre aquilo que vivenciou. Este processo é algo que se dá aos poucos, com pequenos passos que acaba gradativamente testando as novas possibilidades contra o medo.

Há diversas formas de conseguir isso: o modo de ver a vida – enxergando cada trauma como uma oportunidade de aprendizado ou de força – o consolo que vem de uma religião, o afeto de pessoas com as quais possa contar, a ideia de que o futuro possa reservar coisas melgores e claro, também com ajuda profisional.

Procurar ajuda não é sinônimo de fraqueza, pelo contrário. Quanto mais recente for o trauma, mais simples pode ser o caminho para superar. Para Julio Peres, quem adia o momento corre três vezes mais riscos de passar por efeitos, como depressão, fobias e transtorno do pânico. Tratar dos traumas significa cuidar de si mesmo, de sua qualidade de vida, portanto não ignore a sua dor ou fique simplesmente em silêncio. Procure a cura: ela é possível.

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