Hemofilia: o que é, saiba mais

Imagine como seria cortar o dedo em uma folha de papel e, depois de algumas horas, continuar sangrando. É exatamente essa experiência vivida por…

Por Editorial MDT em 24/11/2012

Imagine como seria cortar o dedo em uma folha de papel e, depois de algumas horas, continuar sangrando. É exatamente essa experiência vivida por pacientes portadores de hemofilia, uma das coagulopatias hereditárias mais comuns. Entenda o que é hemofilia e saiba mais sobre o assunto, como sua fisiopatologia, classificação, cuidados necessários e tratamento.

Conheça as doenças genéticas mais comuns.

O hemofílico deve procurar auxílio médico caso o sangramento dure mais que 10 minutos. (Foto: divulgação)

O que é hemofilia

A hemofilia é uma doença genética ligada a um distúrbio no cromossomo X, que resulta em desordem no mecanismo de coagulação sanguínea. É possível encontrar duas variedades de hemofilia, a do tipo A, em que o indivíduo apresenta deficiência do fator VIII de coagulação, e a hemofilia do tipo B, onde o fator deficiente é o IX.

Ainda é possível classificar o problema segundo a quantidade do fator de coagulação deficiente. É considerado como grave o paciente que apresenta menos de 1% do fator, enquanto que a categoria leve é acima de 5%, e os valores intermediários são considerados moderados.

Causa do problema

Essa doença é o resultado de uma mutação no cromossomo sexual X. Por isso sua prevalência é menor em mulheres (que possuem dois cromossomos X) do que em homens (que possuem apenas um cromossomo X e um Y), pois as chances de haver mutações em um gene são muito maiores do que nos dois.

O fato de não apresentar a doença não impede que as mães transmitam a hemofilia para os filhos, pois, caso o material genético do óvulo contenha o cromossomo X com mutação e a criança seja do sexo masculino, irá manifestar o quadro clínico.

Os primeiros sinais são equimoses que aparecem nos primeiros anos de vida. (Foto: divulgação)

Quadro clínico

Nos pacientes com hemofilia leve é possível perceber sangramento anormal em situações específicas, como cirurgias, extrações dentárias e traumas. É bastante fácil perceber os sangramentos logo no primeiro ano de vida, na forma de equimoses que surgem quando a criança começa a aprender a andar e cair.

Pacientes classificados como grave ou moderado podem apresentar episódios recorrentes de sangramentos espontâneos. Na maioria das vezes são hemorragias intramusculares ou intra-articulares, que provocam o desgaste das cartilagens seguido por lesões ósseas. Os principais sintomas de comprometimento articular são dor intensa, aumento da temperatura local e restrição de movimento, que ocorrem de forma abrupta. Os locais acometidos com maior frequência são joelho, tornozelo e cotovelo.

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Diagnóstico

O diagnóstico é baseado na história clínica do paciente e em exames de sangue, que mensuram os níveis séricos dos fatores de coagulação VIII e IX. Casos os valores estejam alterados, o diagnóstico é concluído.

Tratamento

Apesar de não haver cura, o tratamento é simples e bastante eficiente, consistindo basicamente na reposição do fator de coagulação deficiente. É possível encontrar essa medicação sendo distribuída gratuitamente em hemocentros. Como medidas complementares, também é recomendada a eliminação de situações de risco de trauma e fisioterapia para fortalecimento da musculatura e estabilização articular.

Esquema da transmissão genética de hemofilia em pais portadores da doença. (Foto: divulgação)

A hemofilia é um dos distúrbios da coagulação mais comuns, afeta principalmente indivíduos do sexo masculino e pode cursar com sérias complicações para a saúde, especialmente para pessoas com hemofilia leve que não sabem que são portadores da doença e por isso não fazem a reposição do fator de coagulação deficiente e se expõem a situações de risco.

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