Consumir álcool em excesso interfere na recuperação de traumas

Algumas pessoas, quando vivenciam traumas, costumam ir para o bar beber para esquecer as situações ruins. Entretanto, um estudo norte-americano mostrou que o excesso…

Por Isabella Moretti em 10/09/2012

Algumas pessoas, quando vivenciam traumas, costumam ir para o bar beber para esquecer as situações ruins. Entretanto, um estudo norte-americano mostrou que o excesso de álcool não resolve os problemas, pelo contrário, aumenta o risco de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD).

Beber não é a melhor forma de esquecer os traumas. (Foto:Divulgação)

Abuso de álcool interfere na recuperação de traumas

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, revelou que o consumo de álcool em excesso interfere na recuperação de traumas. Isto acontece porque as substâncias da bebida alcoólica alteram os circuitos cerebrais. Os resultados completos foram divulgados no jornal Daily Mail.

Para chegar à conclusão de que o abuso de álcool não ajuda a superar momentos difíceis, os cientistas realizaram uma pesquisa com ratos de laboratório. Enquanto alguns animais receberam doses de bebidas alcoólicas, outros permaneceram sem consumir álcool durante o período da análise, que durou um mês.

Depois de ingerirem bebidas, os ratos foram submetidos a uma série de choques elétricos leves, para que sentissem medo ao ouvir um som específico, que antecedia a experiência desagradável. Após realizar esta etapa do estudo, os cientistas começaram a fazer o mesmo barulho, mas sem dar o choque.

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O abuso de álcool aumenta o estresse pós-traumático. (Foto:Divulgação)

Descobriu-se, então, que os ratos que consumiram álcool continuaram amedrontados com o barulho, que sinalizava um possível choque, mas que na verdade não ocorria. Por outro lado, os animais que não ingeriram bebidas alcoólicas superam o trauma e entenderam que o barulho não vinha acompanhado de choque.

A reação do álcool no cérebro

Após avaliar a reação dos ratos que consumiram álcool, os cientistas constataram que os cérebros destes animais apresentavam as células nervosas no córtex pré-frontal funcionando de forma diferente. O excesso de bebida também foi responsável por suprimir a atividade de um receptor-chave, o NMDA.

Os ratos que ingeriram álcool apresentaram alterações cerebrais semelhantes àquelas desenvolvidas pelos pacientes com estresse pós-traumático. Com os circuitos do cérebro modificados, o indivíduo sente dificuldade para superar um medo, mesmo quando não está exposto a uma situação perigosa.

O excesso de álcool altera negativamente os circuitos cerebrais. (Foto:Divulgação)

De acordo com um dos autores do trabalho, a descoberta é importante para consolidar as informações sobre os danos que as bebidas alcoólicas causam ao cérebro. Baseado nos dados, novas drogas poderão ser desenvolvidas para o tratamento de pacientes que sofrem de transtornos de ansiedade, PTSD e alcoolismo.

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