Transtorno de identidade sexual na infância: saiba mais

Ao contrário do que muita gente pensa, os distúrbios sexuais não são exclusivos da fase adulta e alguns problemas podem se manifestar desde cedo.…

Ao contrário do que muita gente pensa, os distúrbios sexuais não são exclusivos da fase adulta e alguns problemas podem se manifestar desde cedo. Saiba mais sobre o transtorno de identidade sexual na infância, um assunto polêmico e ainda pouco conhecido.

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O transtorno de identidade sexual apresenta seus primeiros sinais na infância.

O que é

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno de identidade sexual na infância é definido como o desejo espontâneo, manifesto antes da puberdade, de ser ou insistir que é do sexo oposto. Pessoas com esse problema afirmam sentir a sensação de ter “nascido com o corpo errado”, o que gera intensa dor e dificuldade em lidar com a realidade. O termo “transexualismo” é usado apenas para indivíduos adultos.

Incidência

Ainda não existem dados estatísticos precisos capazes de ajudar a identificar a incidência do transtorno de identidade sexual, porém, estima-se que uma a cada 625 mil pessoas acima de 15 anos seja transexual. Estudos nacionais indicam que apenas uma dentre três crianças que sofrem com o problema serão transexuais.

Porque ocorre

Diferentemente do que as pessoas mais conservadoras pensam e segundo estudos psiquiátricos específicos sobre o assunto, a transexualidade não é questão de escolha. O indivíduo nasce se identificando psicologicamente com um sexo diferente ao de seu corpo e por isso os primeiros sintomas aparecem ainda na infância, muito antes da puberdade.

Existem evidências de que a formação cerebral intrauterina sofre influência dos níveis de hormônios andrógenos (os que desenvolvem caracteres sexuais masculinos) circulantes, interferindo diretamente na diferenciação da identidade sexual e podendo resultar em um cérebro masculino ou feminino, independente do sexo anatômico e genético já definidos.

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O transtorno de identidade sexual não deve ser confundido com homossexualidade, pois nessa última situação a pessoa não tem nenhuma dificuldade em se aceitar como homem ou mulher. O problema também se difere do travestismo, onde o indivíduo acaba desenvolvendo uma dupla identidade sexual e por isso sente a necessidade de preservar caracteres femininos (os seios) e masculinos (o pênis), enquanto o transexual sente a obrigação de mudar o corpo, alterando as partes com as quais não se identifica.

Como identificar

O diagnóstico do transtorno ainda na infância, apesar de ser estigmatizante, é muito importante para que a criança receba todo apoio necessário para superar o problema e  criar meios para lidar com ele. Isso não quer dizer que seja fácil para qualquer pai ou mãe se adaptar a essa transformação, mas pensar na felicidade do filho e no fato de permitir que ele viva da maneira como se vê e se sente bem, ajuda a tornar a tarefa menos dolorosa.

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Os sinais de transtorno de identidade sexual vão além de simplesmente usar roupas e pedir para ser chamado por nomes do outro gênero, e envolvem depressão, irritabilidade e agressividade expressas quando a criança é obrigada a se comportar segundo o sexo anatômico. A necessidade de ser tratada como tendo o sexo oposto é contínua e pode ser suprimida, quando o pequenino percebe que esse comportamento incomoda os pais. Isso torna mais difícil o diagnóstico, uma vez que são raros os casos com clínica bem aparente.

Cirurgia de mudança de sexo

A cirurgia para readaptar o corpo à identidade sexual, conhecida popularmente como cirurgia de mudança de sexo, é a maneira mais eficaz de resolver o problema e, no Brasil, pode ser feita em pessoas com mais de 21 anos.  O uso de hormônios pode se iniciar a partir dos 18 anos e, em situações especiais, é possível antecipar essa intervenção com autorização do Conselho Federal de Medicina, nos casos em que se tem certeza do diagnóstico.

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O diagnóstico precoce possibilita melhor intervenção e terapia de apoio.

O transtorno de identidade sexual na infância é um assunto tratado como tabu e que, apesar de sua importância diagnóstica para o adequado acompanhamento e suporte psicológico, é encarado como algo estigmatizante e por isso encontra resistência em sua caracterização como “transtorno” por alguns profissionais da saúde.


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