Terapia Familiar: Já Pensou Nisso?

Há quarenta anos, em consequência dos investimentos na reabilitação dos feridos de guerra, nos anos 60, o paciente foi cada vez mais visto no…

Há quarenta anos, em consequência dos investimentos na reabilitação dos feridos de guerra, nos anos 60, o paciente foi cada vez mais visto no seu contexto familiar, o que gerou um grande número de pesquisas, principalmente na costa oeste americana, com o pioneiro antropologista Gregory Bateson.

Houve então o surgimento de uma visão mais ampla dos problemas de saúde mental e o início da aplicação dos conceitos da Teoria Geral dos Sistemas (Von Bertalanffy, 1968) ao sistema de integração psicológica na família: ao seja, a Cibernética transportada e aplicada à psicologia dos grupos familiares.

Tais estudos e pesquisas produziram grande entusiasmo em estudiosos de vários centros acadêmicos e clínicas do mundo, surgindo então Escolas de Terapia Familiar, centros de formação profissional, como em Palo Alto, Nova Iorque, Milão, Roma, Buenos Aires e em vários centros brasileiros (PUC – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte).

As descobertas: observaram que quando o paciente melhorava, alguém da família mostrava-se temporariamente doente; a pessoa sintomática, denominada “paciente identificado”, parecia ficar aprisionada naquele papel, impossibilitada de mudar, fenômeno chamado de “homeostase familiar.” A família foi considerada um “sistema” com propriedades mantenedoras do equilíbrio interpessoal,  por meio de “alianças” (duas ou mais pessoas unidas para um objetivo comum), “complôs” (duas ou mais pessoas da família unidas contra as demais), segredos (conflitos encobertos) e “bodes expiatórios” (aquele que é sempre responsabilizado pelos insucessos do grupo familiar).

Cada vez mais vieram estudos da comunicação interpessoal nos grupos familiares, definindo modelos e padrões de interação típicos, geradores e mantenedores da doença. Os padrões de comunicação desorientadores  (duplas mensagens e instruções paradoxais) ou mistificadores levavam às percepções distorcidas da pessoa doente.

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Houve um afastamento da teoria e do método psicanalítico, permitindo aos terapeutas maneiras radicalmente novas de praticar abordagens terapêuticas no grupo familiar.

A prática da terapia familiar sistêmica é variada e pode ser feita com grupo de técnicos observando pelo espelho unidirecional ou circuito fechado de televisão, pode ser com equipe reflexiva que assiste à sessão e dá um “parecer reflexivo normalizador”, pondo ênfase especial nas qualidades e virtudes preservadas na família doente. Enxergar o mundo e as pessoas de forma diferente faz com que seja possível pensar e sentir de modo inovador.

Comportamentos-problema pareciam claramente interligados, como no exemplo que se segue:

Marido: “Eu só bebo porque você me aborrece.”

Mulher: “Mas eu só fico perturbada porque você bebe.”

Marido: “Se você não me incomodasse o tempo todo, eu pararia de beber…”

Mulher: “Se você parasse de beber eu não ficaria perturbada.”

O campo da terapia familiar está florescendo e a maioria dos terapeutas descobriu a sua própria maneira de conjugar e mesclar conhecimentos das várias escolas e diretrizes teóricas existentes já na considerada maturidade de tais procedimentos, dentro e fora da instituição psiquiátrica.

Indicações da terapia familiar

A terapia familiar é vista hoje como parte essencial do projeto terapêutico dos portadores de dependência química (alcoolismo e outras drogas) e dos transtornos mentais. Tem objetivo de realinhar e re-significar a participação dos diversos integrantes da família nas múltiplas questões da compreensão e prática das tarefas terapêuticas necessárias para a boa recuperação, desde a manutenção da farmacoterapia (uso dos medicamentos de forma apropriada), a orientação quanto às medidas disciplinares e de “reforma” nos relacionamentos pais e filhos e do casal para o controle e boa evolução, voltando a família a funcionar de uma forma mais saudável e feliz.

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No Brasil existe um grande movimento de profissionais denominados Terapeutas de Casais e Familiares (psicólogos, assistentes sociais e médicos) que se congregam nas Associações Regionais (no Estado de são Paulo há a APTF – Associação Paulista de Terapia Familiar) e no Brasil unem-se na ABRATEF – Associação Brasileira de Terapia Familiar.

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