Surrealismo na Moda

A moda, assim como a arte, é uma forma de expressão. Com esse intuito, alianças promissoras foram feitas e fashion designers abraçaram técnicas e…

A moda, assim como a arte, é uma forma de expressão. Com esse intuito, alianças promissoras foram feitas e fashion designers abraçaram técnicas e movimentos artísticos para criar suas coleções. Foi o caso do Surrealismo.

O Surrealismo tem por característica a arte experimental, que foge da realidade e parte para a fantasia ao combinar abstrato, irreal e inconsciente. O movimento teve início em Paris na década de 1920, através de um manifesto publicado pelo poeta André Breton, o Primeiro Manifesto Surrealista, que fazia crítica às atitudes racionais e ao materialismo impostos pela sociedade ocidental.

Os surrealistas eram influenciados por Freud e sua psicanálise, buscavam desvendar todo o potencial criativo relacionado ao inconsciente com aplicações de figuras do real e do irreal, causando um efeito perturbador.

Nada melhor do que a moda para ser parceira do Surrealismo. Os artistas surrealistas tinham fascínio pela indústria da moda e seus “apetrechos”, como os manequins, e também se aproveitavam das roupas para representar o limite entre inconsciência e consciência. A partir daí, a união entre o mundo da moda e o movimento se estreitou, e o conceito do Surrealismo foi adotado e aplicado às roupas através de imagens em locais diferentes para chocar ou objetos.

O Surrealismo, não era explícito nas criações dos estilistas, com exceção da italiana Elsa Schiaparelli. Suas peças foram diretamente influenciadas pelo movimento, e a designer era amiga de Salvador Dalí, um dos principais artistas surrealistas.

Schiaparelli alcançou o sucesso produzindo suéteres tricotados à mão aplicando a técnica trompe l’oeil – ilusão de ótica. Golas e arcos decorativos no pescoço e pulsos eram uma simulação, um efeito visual do desenho do tricô.

A estilista aplicou a tendência surrealista nos detalhes de suas criações, utilizando botões com formato de acrobatas de circo, violões, besouros, pirulitos e até legumes foram parar nas peças. As luvas tinham unhas desenhadas e pintadas, as bolsas vinham com iluminação ou músicas quando abriam. Os chapéus criados por ela eram sapatos e costela de cordeiro.

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Os tecidos usados tinham estampas de elefantes de circo ou, então, inspirada pela obra de Dalí – Três jovens surrealistas segurando nos braços as peles de uma orquestra – de 1936, com a técnica trompe l’oeil um desenho de carne de animal despedaçada.

Ao mesmo tempo que era ícone da moda surrealista, sua criatividade estilística inovou também nas modelagens. Os modelos com ombros largos e cintura fina, da década de 1930 até 1947 com o New Look de Dior, foram criações dela, por exemplo.

Em 1937, Schiaparelli lançou um perfume com o nome de Shocking, com uma embalagem no tom de rosa bem forte. Com isso, as pessoas atribuíram o nome do perfume ao tom de rosa que hoje conhecemos por rosa-shocking. O frasco do perfume tem o formato da silhueta de Mae West, atriz de cinema.

Com a Segunda Guerra Mundial, o movimento artístico declinou, mas sua influência continuou viva no mundo da moda e podemos ver grandes marcas e estilistas fazendo representações nos dias atuais. A marca brasileira Neon adora brincar com trompe l’oeil e busca inspiração direta em Elsa Schiaparelli.

Arte e moda andam juntas e de mãos dadas.

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