Quem quer ficar famoso?

Foi-se o tempo que somente pessoas com algum diferencial real tornavam-se famosas. Com os meios digitais tem sido cada vez mais fácil ganhar seus…

Foi-se o tempo que somente pessoas com algum diferencial real tornavam-se famosas. Com os meios digitais tem sido cada vez mais fácil ganhar seus 15 minutos de fama e uma legião de fãs que muitas vezes nem sabem porquê são fãs nem o que seu ídolo tem de tão especial. No youtube pipocam anônimos à procura de seu lugar ao sol, o que não tem em absoluto nada de errado, vai do público aceitar ou não o novo pretendente à celebridade.

Talvez a facilidade com que algumas pessoas alcançam a fama seja a maior prova de que nós, simples mortais, estamos carentes de heróis. Isso mesmo, heróis; não aqueles dos desenhos animados ou de super produções hollywoodianas, mas sim, heróis de carne e osso, pessoas a quem se espelhar.

Não que essas celebridades instantâneas tenham qualquer coisa heróica a oferecer, mas elas mostram um padrão de vida, ao menos superficialmente, que muita gente almeja. Um BBB por exemplo, o que ele fez pra merecer a fama? Nada, absolutamente nada além de se meter em uma casa sem um pingo de privacidade. Então que motivos levam uma pessoa a se tornar fã de um BBB? Simples, o fã consegue se colocar no lugar do ídolo, se espelhar, manter viva a expectativa de que um dia será sua vez.

Mas essa facilidade de alcançar a fama também tem seu ônus; assim como um ex-anônimo tem a chance de massagear seu ego, ele também está exposto à critica e, assim como fãs, não faltam pessoas dispostas e encontrar em cada gesto um defeito, algo a ser recriminado e ridicularizado. Então antes de buscar a fama, cada candidato à celebridade deveria fazer um exame de consciência: você está pronto para a rejeição? E principalmente: você tem algo a oferecer para depois?

Fama vicia. Assim como o público idolatra muito rápido, esquece o antigo ídolo na mesma velocidade; por isso falo em ter algo a oferecer. Se você tiver, talvez consiga se manter sob os holofotes por bastante tempo, mas se não tiver é provável que caia no esquecimento no momento em que a empolgação terminar, e ela termina, cedo ou tarde. Basta ver tantas matérias que os programas de variedade fazem resgatando celebridades instantâneas de 10, 20 anos atrás, e muitas delas não tiveram um destino feliz por se manterem na ilusão de que sua fama não teria fim.

Então citemos exemplos: Grazi Massafera foi a segunda colocada no BBB 5; com seu carisma e beleza, conquistou um papel em uma novela, com isso foi criticada, sofreu preconceito no meio, mas ela tinha algo a oferecer. Estudou, praticou e hoje é uma atriz levada a sério. Agora… você se lembra quem foi o(a) segundo(a) colocado(a) do BBB 7? Se você acompanha e gosta muito, pode ser que se lembre, mas você é a exceção.

Hoje estamos na “era Geisy Arruda” que figura nos TT’s Brasil do Twitter com uma freqüência até assustadora; porém muito mais como motivo de piada do que admiração. Criticada ou não, Geisy ficou famosa, lançou uma coleção de roupas noticiada pela mídia enquanto muito estilista talentoso não consegue sequer um desfile no bairro onde mora, cobra cachê para ir em eventos, está em capa de revista, ganhando dinheiro, sendo vista e, pelo menos por alguns, admirada. Ela chegou lá, mas… por quanto tempo? Estamos carentes de heróis, resta apenas a esperança de que saibamos escolher em quem vamos nos espelhar, quem realmente merece nossa admiração e quem tem algo a nos oferecer. Todos aqueles que forem descartados em nossas escolhas cairão no limbo do esquecimento, como estão fadados os que buscam a fama como um meio, e não como a conseqüência de um esforço real.

Maya Falks

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

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