Próteses de silicone PIP não são tóxicas, afirma relatório britânico

De acordo com o relatório do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, em inglês), as próteses de silicone PIP não são tóxicas…

Por Isabella Moretti em 20/06/2012

Estudo aponta que próteses PIP não são tóxicas.

De acordo com o relatório do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, em inglês), as próteses de silicone PIP não são tóxicas como se supôs o ano passado. Segundo o estudo, o gel usado pela empresa francesa na fabricação não possui substâncias que agridem a saúde humana e nem aumenta os riscos de câncer. Por outro lado, ficou comprovado que os implantes da marca possuem o dobro de chances de se romper, comparado às próteses de outros fabricantes.

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Uma nova conclusão sobre as próteses de silicone PIP

O estudo realizado pelo NHS foi liderado pelo médico Bruce Keogh, que avaliou a composição dos produtos da marca PIP. Os testes feitos pela equipe serviram para concluir que os implantes não são tóxicos e por isso não representam um risco a longo prazo para as mulheres que possuem as próteses de silicone nos seios. O relatório demonstrou ainda que não havia provas suficientes para que os implantes fossem retirados do mercado.

Não há substâncias cancerígenas nas próteses PIP, mas existe maior chance de ruptura.

A equipe médica que realizou o novo estudo sobre os implantes PIP avaliou 240.000 próteses para chegar à conclusão de que não há substâncias tóxicas no gel. A análise também serviu para revelar que o risco de rompimento é de 15% a 30% depois de 10 anos, enquanto as próteses de outras marcas possuem de 10% a 14% de chances de estourar.

As revelações feitas pelo relatório britânico servem para dar um novo padecer a polêmica que envolve as próteses de silicone da marca PIP. Em 2011, o dono da marca Poly Implant Prothese chegou a ser condenado pela Justiça Francesa diante das afirmativas de que os produtos eram cancerígenos e prejudiciais à saúde.

Apesar da pesquisa do NHS propor uma nova conclusão, é necessário avaliar os resultados do estudo com cautela. Segundo Fazel Fatah, presidente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos, o direito de remover os implantes PIP deve ser mantido, ou seja, o serviço de saúde deve continuar atendendo gratuitamente para a remoção das próteses da marca francesa.

Fazel Fatah ainda argumenta que o risco de rompimento das próteses também é uma ameaça para a saúde humana, pois o vazamento do gel causa reações físicas inaceitáveis no corpo da paciente que recebeu o implante.

Os produtos da PIP possuem qualidade inferior e têm grandes chances de ruptura. Desta forma, caso a mulher tenha sintomas de rompimento da prótese, como maciez excessiva, dores e inchaços, ela deve procurar ajuda médica.

Relembre a polêmica das próteses PIP

Em dezembro de 2011, o Governo Francês recomendou a retirada das próteses PIP como medida preventiva.

Em março de 2010, a PIP foi fechada após a descoberta de que havia silicone industrial nas próteses. Entretanto, o caso ganhou maior visibilidade em dezembro de 2011, quando o Governo Francês recomendou que as mulheres que receberam o implante se submetessem a cirurgia de retirada como um meio de prevenir possíveis problemas de saúde.

O escândalo das próteses PIP tomou dimensão internacional e muitos países seguiram o exemplo da França, ou seja, aconselharam a retirada do implante mamário e a substituição por uma prótese de qualidade.

Antes da polêmica, a Poly Implant Prothese era a terceira maior fabricante de próteses de silicone do mundo. Em 20 anos de atuação do mercado, a empresa foi responsável por fornecer o material para o implante mamário de 400 mil mulheres de 65 países.

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