Polícia e ladrão

Estou muito longe do que está acontecendo naquela que chamamos de Cidade Maravilhosa, mas isso não me impede de acompanhar estarrecida a subida de verdadeiros tanques de guerra nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. Também não me privou de acompanhar um grupo imenso de bandidos correndo pela sua vida depois de uma semana aterrorizando civis como verdadeiros donos do campinho.

Quem é herói e quem é vilão? Na minha infância tínhamos a brincadeira do “polícia e ladrão” em que os lados eram muito bem definidos. Hoje a coisa não é tão simples assim. Eu tenho uma opinião bem formada dessa verdadeira guerra que está acontecendo por lá, mas, para esse espaço, procuro não expor somente o que eu penso, mas o que vejo de opiniões contrárias à minha. Então façamos uma reflexão: traficantes cresceram em uma realidade em que aquilo era tudo o que tinham, marginalizados por governos e governos de promessas vazias, o que fazem hoje é conseqüência da vida que puderam ter.

O contraponto: vitimizar bandido é um exercício tão raso quanto um pires. Que culpa tem o trabalhador que teve mais oportunidades por uma série de possíveis razões e que teve, além do pânico, um bem caro furtado para virar fogueira nas mãos de pessoas que estão pouco se lixando pra vida alheia?

Como pessoa não estou em cima do muro, mas como colunista exponho os dois lados da moeda com dois questionamentos: será que os traficantes promoveram a onda de ataques à cidade como reação aos governos e seu descaso com as classes menos favorecidas (bom, não foi o que foi dito nas últimas eleições, mas enfim) ou para mostrar poder? Será que os policiais que invadiram as comunidades vão garantir a paz ou só mudar a violência de lado?

A nós, espectadores desse show de horror, só resta torcer que acabe bem, ou pelo menos não tão mal. O problema é que nem eu nem vocês estaremos vivos para ver essa guerra acabar, porque o ciclo é interminável, ações geram reações e sempre todo mundo vai achar que está com a razão; alguns defendem suas crenças com palavras, outros com balas. E agora, quem está certo? Nesse caso, nenhum deles.

E você caro internauta, o que acha desse descaso? Deixe sua sugestão e participe de nossa discussão aqui no Mundo das Tribos.

Foto:  http://www.estadao.com.br

Maya Falks

maya falks 150x150 ENEM A velha novela

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

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