Perdas

Steve Jobs foi muito mais do que um homem criativo; foi um visionário. Talvez pensem que isso é algum tipo de exagero, afinal o…

Por Redacao em 06/10/2011

Steve Jobs foi muito mais do que um homem criativo; foi um visionário. Talvez pensem que isso é algum tipo de exagero, afinal o homem desenvolveu bens de consumo inalcançáveis para a maior parte da população, embora desejados por estes; mas independente da natureza de sua criação, ele foi um homem que fez história.

É natural que alguém com essa definição se torne assunto mundial ao deixar a vida, precocemente se formos considerar a expectativa de vida atual, e, infelizmente, igualmente natural que pipoquem nas mídias sociais os mais diversos tipos de piadas, embora a morte de alguém seja sempre um assunto triste, ao menos deveria ser.

Jobs era guerreiro, construiu uma das maiores potências tecnológicas a partir de um sonho e uma garagem. Inovou, revolucionou e, já há bastante tempo, começou a lutar contra uma doença que já vitimou muita gente boa por aí: o câncer. É uma pena que toda a criatividade e toda a inovação que ele trouxe ao nosso mundo seja insignificante perto dos mistérios do corpo humano e da fatalidade de uma doença como essa.

Obviamente não faço a menor ideia de como Jobs era como pessoa, sequer sou grande entusiasta da Apple (tá, não nego, pelo menos um iPod eu gostaria de ter) mas, em mundo tão cheio de pessoas desnecessárias, ele representa sim uma grande perda.

Vejo, como qualquer um de vocês, leitores, muita coisa absurda acontecendo todos os dias; muita gente que só traz destruição, sentimentos negativos, atos negativos, segue sua vida saudável e certamente com pique para manter seu rastro de coisas que o mundo realmente não precisa. Vemos todos os dias pessoas sendo roubadas, enganadas, extorquidas e vítimas de violências ainda piores por pessoas que gozam de excelente saúde e não tem prazo para deixarem nosso mundo um pouco menos pior por seu simples desaparecimento. Entretanto, ainda somos obrigados a ver gente que contribuiu, gente que amamos porque fizeram por merecer, indo embora desse mundo de formas por vezes até crueis demais para nossa compreensão.

Obviamente nesse ponto não falo somente do fundador da Apple, mas de tanta gente boa, gente bacana, que nos abandona diariamente nos fazendo questionar aquilo que na vida prática do cotidiano já nos causa dúvida: justiça.

Não é mais difícil descrer desses conceitos de que tudo acontece por uma razão, de quem tem alguém que de fato sabe o que está fazendo, porque existe sim uma chance imensa de isso não ser verdade. Então quando você vê que o mundo está virando de ponta cabeça e recebe uma notícia triste como essa, fica ainda mais difícil pensar que tudo acontece por uma razão, e que no fim tudo vai dar certo.

Não posso citar nomes por questões éticas, mas não é difícil para ninguém fazer uma lista gigantesca em poucos minutos de pessoas que não fariam a menor falta no mundo se deixassem de existir (e claro que eu sei que eu mesma poderia estar em alguma lista por aí, é um risco que se corre). Então porque Steve Jobs, o criativo, o guerreiro, o visionário, foi o escolhido da vez?

Bom, para quem lê, parece que estou sofrendo com a perda. Lamento sim, mas não afeta minha vida, nem minha rotina, até porque o legado dele vai continuar, disso não me restam dúvidas; o que acontece aqui é que certas notícias, certos acontecimentos, acabam trazendo à tona muitas outras coisas que não convém lembrar toda hora, ou aí sim a existência seria muito mais um fardo do que uma realização. E perder pessoas importantes é uma delas.

Maya Falks

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

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