Página em Branco

Página em Branco

O começo. Tudo se resume à uma página em branco e um tracinho piscando na tela esperando a inspiração do escritor. A página em branco tem o potencial intimidador de um revólver apontado diretamente para o coração, porque o fracasso rasga a alma com a mesma violência que a bala rompe a carne. Tudo se resume à uma página em branco.

A vida de cada um é um apanhado de segundas chances, embora nos sintamos seguidamente injustiçados pelas oportunidades perdidas; é parte do drama de ser humano, é parte da nossa necessidade de justificar nossas falhas apontando o dedo diretamente nas fuças do destino. “A culpa é dele!”, bradam os supostos injustiçados olhando para o céu sem perceber que a vida é em si a própria página em branco onde cada um pode escrever sua história.

Filosofia barata? Talvez. Bem provável por sinal, mas acima de tudo uma forma de dizer que nada no mundo pode ser maior do que a vontade – quem realmente quer, eventualmente consegue. É nessa página em branco que tudo começa, das palavras mais simples aos projetos mais ousados; é a página em branco que se tornou testemunha ocular dos maiores feitos, e que se deixe claro que todos produzidos pelo homem e suas vontades, porque o desejo de realizar um sonho é capaz de superar qualquer barreira.

O homem é o senhor da evolução, o dono dos sonhos que geram resultados e constroem o mundo como conhecemos, o dono das mãos que coletam a matéria-prima e a transformam naquilo que lhe for ideal, do carvão ao diamante, da rocha à roda, da pedra ao fogo. E o dono do talento, que lapida a pedra e transforma em joia, porque tudo na vida é uma joia em potencial, esperando mãos habilidosas para enfim brilhar.

Nada substitui a vontade, nada pode ser mais forte que a disposição de fazer acontecer. Nossos antepassados construíram o mundo e nos deixaram o que sobrou dele de herança. E agora? O que deixaremos para contar nossa história? Uma página em branco? Que assim seja então, todas as histórias mais belas começaram assim: do absolutamente nada, do vazio e do sonho.

Aqui começa uma nova história praticamente sem regras, onde tudo e todos podem virar notícia, onde nada é proibido mas nem tudo é permitido porque ainda sou de um tempo de boas maneiras e etiqueta à moda britânica. Respeito é tudo, limites são o que separam o bom cidadão do selvagem. Que comece a brincadeira; muito ainda está para acontecer, e seja o que Deus quiser, ou o que a página em branco nos permitir.

Maya Falks

Maya FalksMaya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

Contato: [email protected]

Blog: www.mayafalks.blogspot.com

Twitter: www.twitter.com/MayaFalks

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