Os Méritos da Derrota

 

Tem pessoas que são mestres na arte de perder, e que fique claro que perder nem sempre é algo ruim; perder peso, por exemplo, é a melhor coisa que pode acontecer a um gordinho, certo? Pois bem, no Brasil temos um ilustre perdedor que já conquistou mais coisa do que nós, simples mortais, jamais conquistaremos.

Rubens Barrichello (foto: divulgação)

Esses dias houve toda uma celebração ao redor de Rubens Barrichello, que bateu recordes de participação em campeonatos mundiais de Fórmula 1. Jamais conquistou nenhum, mas acabou por se tornar um exemplo de perseverança como pouco se vê. Ta certo que ele ganha muito bem e suas derrotas constantes nunca afetaram seu contracheque, mas e o ego? E a auto-estima? Barrichello virou o grande ícone da derrota, o motivo de piada mais usado pelos programas humorísticos, e mesmo assim ele dificilmente é flagrado sem um sorriso estampado no rosto.

Foram 300 GP’s, 17 anos nas pistas de Fórmula 1 ao redor do mundo, fama, dinheiro e nem um único campeonato vencido. Derrota é um conceito relativo, definitivamente, depende do tamanho do espírito esportivo do perdedor e do prejuízo que a derrota provoca em sua vida (e não falo somente de prejuízo financeiro).

Qualquer ser humano perde, seja uma caneta no limbo das canetas Bic, seja o guarda-chuva no metrô, seja uma partida de futebol ou o grande amor da sua vida; a derrota é quase tão presente quanto o oxigênio na vida das pessoas, é aí que entra a capacidade de cada um superar as adversidades e transformar a perda em ganho.

É isso que faz Rubens Barrichello; ele levanta a cabeça e segue em frente, ele celebra seu recorde em participações em GP’s ignorando que o fato acentua seu histórico de “não-vitórias”, ele é cumprimentado pelo mundo por se tornar o homem que mais campeonatos participou na história da Fórmula 1. Olhando do ponto de vista daqueles que não sabem perder, Rubinho deveria se esconder e não se orgulhar de seu recorde.

Mas ele se orgulha. Por quê? Porque ele jamais desistiu, ele jamais baixou a cabeça para a crítica e o deboche. Ele riu junto, foi simpático a si mesmo e à verdade da qual não pode fugir; e que fique claro: a verdade não é que ele nunca foi campeão, a verdade é que ele nunca permitiu que a derrota o tornasse menor do que o que ele realmente é – um guerreiro, um exemplo.

Fraco? Obediente demais? Talvez, mas acima de tudo alguém que segue firme em seus propósitos há 17 anos, mesmo que nesse tempo o mundo inteiro o tivesse tentado convencer a desistir. Quantas pessoas tem essa força?

 

Maya Falks (foto: divulgação)

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

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Twitter: www.twitter.com/MayaFalks

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