O Xadrez da Questão

O Xadrez da Questão

A juventude da década de 1990, batizada de Geração X, revolucionou a indústria da moda e da música. Jovens com suas bandas de garagem…

Por Redacao em 27/08/2011

A juventude da década de 1990, batizada de Geração X, revolucionou a indústria da moda e da música. Jovens com suas bandas de garagem cheios de idealizações e opinião, despontaram na cena musical ao manifestarem em suas músicas suas ideologias. Reagindo aos excessos de consumo e materialismo dos yuppies dos anos 1980, o Grunge surge sem rodeios e lenga-lenga.

Pearl Jam

Seattle é considerada a cidade do grunge, por conceber algumas das principais bandas como Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains. Essas bandas tinham um estilo particular de se vestir, era através da música e da roupa que se expressavam. E esse novo jeito de vestir virou uma tendência, elevando o nível do grunge de subcultura para referência principal de moda, em 1992.

O estilo grunge era basicamente composto de roupas sem combinações e sobreposições. O xadrez reinava nas camisas de flanela, os jeans eram puídos e desgastados e nos pés os coturnos e Converse All Star. A incoerência fashion acabou se tornando importante para as mulheres, quando misturavam vestidos florais com botas pesadas e jaquetas bem amplas.

Kurt Cobain, líder do Nirvana, se tornou o rosto do grunge involuntariamente, e sua forma de vestir foi copiada por seus fãs. O estilo alcançou o patamar de mainstream da moda muito rapidamente, e muitos estilistas renomados criaram coleções com influência do grunge. A moda apareceu até na Vogue americana, revista super tradicional, com uma matéria de 28 páginas sobre a nova tendência, explicando sobre o movimento grunge, as bandas de garagem e como conseguiu chegar até as rádios e MTV.

Marc Jacobs para Perry Ellis em 1993

Anna Sui desenvolveu, em 1992, uma coleção inspirada no grunge tamanha era a influência do novo estilo. No mesmo ano, Marc Jacobs, que era diretor criativo da Perry Ellis, causou

controvérsia quando reinterpretou peças comuns vendidas em lojas de preço mais baixo usando tecidos ultra caros. Sua coleção foi como uma piada, pois o grunge era o estilo que não ligava para a moda e roupas caras, e Marc Jacobs transformou essa ideologia em camisas flaneladas que eram de seda lavada e os vestidos imitando poliéster eram de chiffon.

Assim que foi lançada, a coleção de Jacobs foi ovacionada e o estilista nomeado de “guru do grunge”. Porém, os preços propostos pela marca eram um absurdo, afinal, aquilo era o grunge ou não? Pelo jeito, os consumidores não acharam que a coleção fazia jus ao estilo e Marc perdeu o emprego. Em 1993, Calvin Klein fez uma tentativa, bem sucedida, de reinterpretação do grunge mas mais acessível, e como musa de suas campanhas escolheu Kate Moss.

O grunge fez história, mas como a moda é muito passageira, o impacto estético causado por esse estilo foi dado também como pouco duradouro. Alguém aí tem uma camisa xadrez e um coturno no guarda-roupa? Eu tenho!

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