O Xadrez da Questão

A juventude da década de 1990, batizada de Geração X, revolucionou a indústria da moda e da música. Jovens com suas bandas de garagem…

A juventude da década de 1990, batizada de Geração X, revolucionou a indústria da moda e da música. Jovens com suas bandas de garagem cheios de idealizações e opinião, despontaram na cena musical ao manifestarem em suas músicas suas ideologias. Reagindo aos excessos de consumo e materialismo dos yuppies dos anos 1980, o Grunge surge sem rodeios e lenga-lenga.

Pearl Jam

Seattle é considerada a cidade do grunge, por conceber algumas das principais bandas como Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains. Essas bandas tinham um estilo particular de se vestir, era através da música e da roupa que se expressavam. E esse novo jeito de vestir virou uma tendência, elevando o nível do grunge de subcultura para referência principal de moda, em 1992.

O estilo grunge era basicamente composto de roupas sem combinações e sobreposições. O xadrez reinava nas camisas de flanela, os jeans eram puídos e desgastados e nos pés os coturnos e Converse All Star. A incoerência fashion acabou se tornando importante para as mulheres, quando misturavam vestidos florais com botas pesadas e jaquetas bem amplas.

Kurt Cobain, líder do Nirvana, se tornou o rosto do grunge involuntariamente, e sua forma de vestir foi copiada por seus fãs. O estilo alcançou o patamar de mainstream da moda muito rapidamente, e muitos estilistas renomados criaram coleções com influência do grunge. A moda apareceu até na Vogue americana, revista super tradicional, com uma matéria de 28 páginas sobre a nova tendência, explicando sobre o movimento grunge, as bandas de garagem e como conseguiu chegar até as rádios e MTV.

Marc Jacobs para Perry Ellis em 1993

Anna Sui desenvolveu, em 1992, uma coleção inspirada no grunge tamanha era a influência do novo estilo. No mesmo ano, Marc Jacobs, que era diretor criativo da Perry Ellis, causou

Leia Também:  Nova coleção da Ralph Lauren 2016

controvérsia quando reinterpretou peças comuns vendidas em lojas de preço mais baixo usando tecidos ultra caros. Sua coleção foi como uma piada, pois o grunge era o estilo que não ligava para a moda e roupas caras, e Marc Jacobs transformou essa ideologia em camisas flaneladas que eram de seda lavada e os vestidos imitando poliéster eram de chiffon.

Assim que foi lançada, a coleção de Jacobs foi ovacionada e o estilista nomeado de “guru do grunge”. Porém, os preços propostos pela marca eram um absurdo, afinal, aquilo era o grunge ou não? Pelo jeito, os consumidores não acharam que a coleção fazia jus ao estilo e Marc perdeu o emprego. Em 1993, Calvin Klein fez uma tentativa, bem sucedida, de reinterpretação do grunge mas mais acessível, e como musa de suas campanhas escolheu Kate Moss.

O grunge fez história, mas como a moda é muito passageira, o impacto estético causado por esse estilo foi dado também como pouco duradouro. Alguém aí tem uma camisa xadrez e um coturno no guarda-roupa? Eu tenho!

Top