Horário Patético

Fonte da imagem: Vestibular Brasil Escola

Para quem não entendeu o trocadilho do título, o título correto seria “Horário Político”, mas tem sido difícil mesmo levar a sério um programa destinado a revoltar os mais politizados e divertir os mais tranqüilos. Digno de um stand up comedy de quinta categoria (um palco, um microfone e um comediante contando piadas de ocasião), o horário eleitoral gratuito, que se iniciou nessa semana, mostra exatamente como as coisas funcionam por aqui: quase ninguém se preocupa realmente com o nosso futuro.

O que a maioria das pessoas não se dá conta, entre eleitores e os próprios candidatos, é que eleições não são teste de popularidade nem programa de calouros; por mais que muitas pessoas procurem desesperadamente seus 15 minutos de fama, a administração do nosso país não é a ocasião correta para isso. O horário político teria como princípio parecer uma entrevista de emprego… teria, se tivesse alguém levando a sério. Eleger um político é o mesmo que contratar um
administrador para uma grande corporação chamada Brasil.

E então você senta para assistir o horário eleitoral, tentando escolher o seu melhor representante, e o que você encontra é um espetáculo lamentável de pessoas sem a menor noção do ridículo que concorrem a cargos que elas sequer sabem quais as atribuições. Pergunte a um “Zé Mané” qualquer que está lá, disputando espaço a tapa na propaganda, se ele sabe como funciona o trabalho de um deputado ou senador; ele até pode dar uma explicação padrão, mas a verdade é que só o que ele quer é aparecer, é ser visto, é contar com orgulho que recebeu alguns votos.

Não estou dizendo que não há nenhum candidato qualificado concorrendo nessas eleições; certamente temos várias opções coerentes com aquilo que desejamos para o nosso país, cabe a nós filtrar quem merece nosso voto e quem é digno de pena ou revolta. Analisemos as figuras patéticas que aparecem nas propagandas para ver se isso não parece verdadeiramente uma piada! E uma piada muito sem graça, convenhamos.

O que não falta é candidato que sequer sabe escrever o próprio nome, muito menos terá capacidade de propor leis efetivamente relevantes. Nada contra os analfabetos, mas não estamos falando de um emprego qualquer, estamos falando de administrar um país! E não um país qualquer também; um país imenso com tanta diversidade cultural que mais poderia parecer um continente inteiro. Não, não podemos confiar nosso país a pessoas sequer preparadas para administrar suas próprias atividades.

Imagine que você é dono de uma grande empresa: sua renda, seu futuro e sua vida dependem do bom andamento dela; você contrataria algum desses candidatos para dirigi-la? Tem pessoas que a simples candidatura prova que não levam a sério nem o país e nem seu povo. Então façamos o seguinte: não permita que seja você o motivo de piada para essa gente desqualificada, quem sabe um dia esses protótipos de pseudo-celebridade tomam noção do ridículo e deixam as eleições para quem tem realmente condições de fazer um bom trabalho. Enquanto isso não acontece, tente lembrar que não estamos votando para o líder da classe nem para o casal real da festa de formatura, e que propaganda eleitoral não é programa de humor; carisma e graça podem até ser importantes, mas o que deve valer mesmo é a competência. Pense nisso, o resultado de sua consciência vai valer a pena.

Maya Falks

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

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