Efeitos danosos do açúcar são parecidos aos acarretados pelo álcool

Doenças transmissíveis foram superadas, pela primeira vez por doenças não transmissíveis.  Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), doenças crônicas não transmissíveis como diabetes,…

Por Editorial MDT em 02/02/2012

Imagem: (Foto Divulgação)

Doenças transmissíveis foram superadas, pela primeira vez por doenças não transmissíveis.  Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, câncer e problemas cardíacos são responsáveis por 35 milhões de mortes anualmente.

Em nota divulgada na revista Nature, três pesquisadores americanos destacaram outro culpado pela alteração na saúde pública mundial além do álcool e do fumo: a glicose. Os especialistas disseram que as consequências prejudiciais da glicose no corpo são parecidas às acarretadas pelo álcool.

A ingestão mundial de açúcar, segundo o levantamento, triplicou nós últimos 50 anos. E, embora os EUA comandem o ranking mundial do consumo do alimento, o problema não se limita a essa ou a outras nações desenvolvidas.

“Todo país que adotou uma dieta ocidental, dominada por alimentos de baixo custo e altamente processados, teve um aumento em suas taxas de obesidade e de doenças relacionadas a esse problema. Há hoje 30% mais pessoas obesas do que desnutridas”, destacaram os autores. Porém eles enfatizam que o excesso de peso não é o principal problema, nesta circunstância.

“Muitos acham que a obesidade está na raiz de todas essas doenças, mas 20% das pessoas obesas têm metabolismo normal e terão uma expectativa de vida também normal. Ao mesmo tempo, cerca de 40% das pessoas com pesos considerados normais desenvolverão doenças no coração e no fígado, diabetes e hipertensão”, disseram.

No fim das contas problema é maior nas nações menos ricas, já que de acordo com o levantamento cerca de 80% das mortes são por causa de doenças não infecciosas, as quais são maiores em nações de rendas média ou baixa.

Segundo os autores da matéria, o panorama chegou a tal ponto que as nações deveriam começar a controlar a ingestão do alimento. Eles recomendam que a regulação poderia abranger, a taxação de produtos industrializados açucarados, a restrição da comercialização de tais produtos em colégios e a fixação de uma idade mínima para a compra de refrigerantes.

Porém, ao contrário do álcool e do fumo, que são produtos consumíveis não fundamentais, o açúcar está em alimentos, o que atrapalha a sua regulação.  “Regular o consumo de açúcar não será fácil, especialmente nos ‘mercados emergentes’ de países em desenvolvimento, nos quais refrigerantes são frequentemente mais baratos do que leite ou mesmo água”, destacaram.

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