Do outro lado do mundo

Dou outro lado do mundo uma grande tragédia abalou, ou pelo menos deveria ter abalado, todo o resto da população mundial. Dias de terror…

Por Redacao em 18/03/2011

Dou outro lado do mundo uma grande tragédia abalou, ou pelo menos deveria ter abalado, todo o resto da população mundial. Dias de terror no Japão nos provaram mais uma vez que o homem não tem a menor chance quando a natureza resolve se rebelar. Nada pode contra ela. Uma única onda arrastou carros e edificações como se fossem barquinhos de papel; uma série de tremores iniciaram uma sequência catastrófica de eventos; entre eles, a estupidez humana.

Piadinhas pela internet sobre a grande tragédia, pessoas reclamando do comportamento desesperado dos japoneses que moram em outros países (e pergunto como essas mesmas pessoas reagiriam se fossem seus parentes arrastados por ondas gigantes), escrotices e canalhices transbordando em redes sociais; mas o que para mim foi o mais grave foram as explicações religiosas para tanta destruição e sofrimento.

O Japão conta com uma população cristã que representa aproximadamente 1% da população total do país e alguns fanáticos alegam que a não crença em Jesus Cristo e os preceitos cristãos (em especial católicos) foi o motivo da tal “ira divina”. Argumento, além de cego, burro. Se partirmos desse ponto de vista, por que um dos piores terremotos da história aconteceu no Haiti, país de população miserável e de maioria cristã? Que “dívida” teriam esses pobres coitados com esse Deus tão impiedoso e vingativo?

Se Deus é o pai de todos, o criador de todos e a representação do amor, de onde saiu tamanho desprezo por irmãos que somente usufruem do livre arbítrio que foi dado por Deus aos seus filhos? O “amor ao próximo” não poderia ser aplicável somente ao próximo que lhe convier, mas a todos os seres humanos, independente de suas características ou escolhas.

É em uma tragédia como essa que percebemos o quanto ainda temos que evoluir, afinal, no momento em que tanta gente aponta o dedo no lugar de entender a mão é que fica claro que tem alguma coisa muito errada por aqui.

Maya Falks

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

Contato: [email protected]

Blog: www.mayafalks.blogspot.com

 

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