Crianças expostas à anestesia precocemente podem apresentar problemas cognitivos

Crianças expostas à anestesia precocemente podem apresentar problemas cognitivos

De acordo com um estudo desenvolvido pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, as crianças expostas à anestesia podem apresentar déficit cognitivo, ou seja, dificuldades…

Por Isabella Moretti em 24/08/2012

De acordo com um estudo desenvolvido pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, as crianças expostas à anestesia podem apresentar déficit cognitivo, ou seja, dificuldades para realizar atividades que envolvem raciocínio e linguagem. Os resultados completos da pesquisa foram publicados na revista Pediatrics na última segunda-feira (20).

Anestesia no início da infância pode afetar desempenho cognitivo. (Foto:Divulgação)

A anestesia pode comprometer a cognição da criança

Para comprovar que a anestesia precoce afeta a cognição, os pesquisadores se basearam nos dados de 2.900 crianças de dez anos, que estavam inscritas em um levantamento nacional da Austrália. Para coletar as informações necessárias, os voluntários foram submetidos aos testes de raciocínio, interpretação de texto, linguagem e memória. As crianças também responderam questionários sobre saúde emocional, para que os estudiosos conseguissem visualizar a incidência de problemas como depressão e agressividade.

Após análises cuidadosas dos dados, concluiu-se que as crianças expostas ao menos uma vez à anestesia durante os três primeiros anos de vida cometeram o dobro de erros nos testes cognitivos, em comparação com aquelas que não tinham sido submetidas a uma cirurgia ou exame diagnóstico.

As crianças que foram submetidas às anestesias apresentaram muitos erros na fala e imprecisão ao resolver problemas. Por outro lado, os pesquisadores não conseguiram fazer nenhuma associação entre os problemas de comportamento, atenção e habilidade motora com a anestesia.

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Na pesquisa, crianças que receberam anestesia antes dos três anos apresentaram problemas de linguagem e raciocínio. (Foto:Divulgação)

Embora a pesquisa tenha proporcionado uma nova visão sobre os riscos da anestesia no início da infância, os especialistas alertam que os dados devem ser analisados com cuidado. No caso de uma criança que precisa realizar uma cirurgia, é importante avaliar se outras condições médicas não influenciam no seu desenvolvimento mental.

Crianças devem ou não passar por cirurgia?

Segundo Caleb Ing, coordenador do estudo, a descoberta não significa que as crianças não devem se submeter a uma cirurgia, mas é importante que os pais tenham uma conversa com o médico para conhecer de forma mais ampla os riscos. Se o procedimento cirúrgico for mesmo necessário para a saúde da criança, a anestesia não pode ser descartada em hipótese alguma.

Não se sabe ao certo se é possível reverter os danos cognitivos causados pela anestesia, mas alguns experimentos já foram realizados com animais. Com bichos, os efeitos adversos da anestesia receberam tratamento através de um ambiente de aprendizagem enriquecido, porém não se sabe se esta estratégia funcionaria com humanos.

Se for mesmo necessário, os pais não podem abrir mão da cirurgia da criança. (Foto:Divulgação)

De acordo com o especialista, a anestesia provoca a morte de alguns neurônios nos cérebros de animais, o que pode justificar os problemas cognitivos que as crianças desenvolvem ao longo da infância.

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