Consumo demasiado de álcool pode encolher cérebro

Editorial MDT 04/03/2012 Bem Estar

Imagem: (Foto Divulgação)

Uma pesquisa realizada com cobaias revela que algumas regiões do cérebro podem encolher devido ao consumo demasiado do álcool. Através das representações de ressonância magnética foi possível concluir que a linhagem de roedores que não possuía  um tipo particular de receptor de dopamina – importante neurotransmissor – apresentava um diminuição notável do cérebro. A pesquisa será publicada na edição de maio do jornal Alcoholism: Clinical and Experimental Research.

De acordo com os autores da pesquisa, a descoberta contribui para um melhor entendimento do papel da variabilidade genética nos detrimentos cerebrais acarretados pelo alcoolismo e apontam soluções mais eficazes de prevenção e tratamento, já que esse padrão de dano cerebral imita um aspecto único da patologia notada em alcoólatras humanos.

 “A ressonância magnética tem condições de diagnosticar vários tipos de lesões causadas pelo álcool no cérebro dos indivíduos – algumas reversíveis e outras permanentes. O consumo crônico de álcool resulta na redução e atrofia de partes específicas do cérebro que podem levar à alteração do equilíbrio e marcha, dificuldade de raciocínio, cálculo e memória, muitas vezes progressivos e irreversíveis, além de quadros graves que evoluem para coma e morte se não forem tratados com rapidez e eficiência”, diz a radiologista Flavia Cevasco, do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), em São Paulo.

De acordo com a especialista, alguns desses sintomas são notados na Síndrome de Wernicke-Korsakoff, com descobertas exclusivas na ressonância que permitem a análise e tratamento célere e eficaz. As regiões do cérebro mais comprometidas pelo consumo demasiado do álcool são responsáveis por alterações na memória, déficit cognitivo, comportamento, problemas para falar e se movimentar.

As representações da ressonância conseguidas na pesquisa apontam que os roedores submetidos à ingestão diária de uma dose com 20% de álcool durante seis meses sofreram atrofia do cérebro, de modo geral, e uma diminuição exclusiva do córtex cerebral naquelas pessoas com ausência de receptor de dopamina D2.

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