Consumo de Crack começa a substituir bebidas álcoolicas em cidades, diz pesquisa

De acordo com pesquisa divulgada na segunda-feira (7) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o crack vem tomando o lugar do álcool em municípios…

Presidente da CNM, Paulo Ziulkoski apresenta os dados do estudo sobre a presença do crack nos municipios brasileiros (Imagem: Agência Brasil)

De acordo com pesquisa divulgada na segunda-feira (7) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o crack vem tomando o lugar do álcool em municípios considerados pequenos e em locais de área rural, fazendo com que a droga esteja presente e seja comum em pouco mais de 90% das cidades.

A pesquisa abrangeu cerca de 4,4 mil municípios, nos quais 93,9% sinalizaram que enfrentam problemas com o consumo da droga em seu território, sendo disseminada em todas as classes sociais em contraste com a ideia anterior de que era consumida somente por usuários de baixa-renda. Esse crescimento é atribuído a facilidade de acesso e também ao baixo custo da pedra, que em alguns locais pode custar menos que R$ 5.

O mesmo estudo mostra que 63,7% das cidades pesquisadas são obrigadas a lidar com problemas na área de saúde causados pela circulação do crack em seu território, tendo como principiais obstáculos a costumeira fragilidade da rede básica, falta de leitos, carência no que diz respeito a disponibilidade de medicamentos e a falta de profissionais especializados em dependência química. Para a segurança pública, o impacto está relacionado ao aumento no número de crimes como roubos, furtos, vandalismo e homicídio.

Esses problemas fazem com que o custo em ações de combate a essa e a outras drogas cheguem a R$ 2,5 milhões, porém o CNM aponta que faltam profissionais e também verbas que sirvam a manutenção de equipes e centros de atenção que precisam estar disponíveis para auxílio ao usuário.

Serviços de proteção e centros de referência especializados da assistência social (Creas) ainda são apontados com deficientes em 44,6% dos locais pesquisados assim como a falta de controle das fronteiras, dos quais um efetivo policial com limitações em número, remuneração e treinamento se mostram pouco eficiente no combate ao tráfico. Somado a isso, ainda é contado que as indústrias que produzem produtos matéria-prima para o preparo do crack não apresentam fiscalização e venda adequada, facilitando o acesso por parte de traficantes e usuários.

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O primeiro estudo do gênero foi divulgado em dezembro de 2010, e nela, 98% dos municípios confirmaram terem a presença da droga em sua região. Mediante a pesquisa, a CNM lançou o portal Observatório do Crack, destinado a acompanhar a situação dos municípios frente ao problema, com dados e informações a respeito do consumo, investimentos e combate ao crack nestes locais.

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