Colesterol nem sempre é sinônimo de perigo

Ao longo dos anos, pesou sobre ele a fama de vilão, porém nem sempre colesterol é sinônimo de perigo. Afinal, sua presença garante a…

Por Editorial MDT em 23/11/2011

(Imagem: Foto divulgação)

Ao longo dos anos, pesou sobre ele a fama de vilão, porém nem sempre colesterol é sinônimo de perigo. Afinal, sua presença garante a produção de vários hormônios como é o caso da vitamina D e do pleno funcionamento das membranas celulares.

De tão importante cerca de 70% da substância é produzida pelo próprio organismo. Porém o foco em questão, são as lipoproteínas que o conduzem pelo organismo: LDL e a HDL. “A primeira carrega o colesterol para as artérias, aumentando o risco de ocorrer formação de placas de gordura que, mais tarde, podem gerar doenças cardiovasculares”, esclarece Celso Cukier, nutrólogo do Hospital do Coração, o HCor, em São Paulo. “A segunda, por sua vez, é responsável por tirar a molécula dos tecidos e conduzi-la ao fígado para ser eliminada.”

O problema surge quando há um desequilibrio entre os meios de transporte e a LDL aparece dominadora no fluxo sanguíneo. Isso na maior parte da vezes é devido a uma dieta rica em gordura saturada, encontrada na carne vermelha, na salsicha, no salame, etc. Assim, surge uma das primeiras sugestões para combater o inimigo, a qual é riscar algumas opções no cardápio diário.

Mas é justamente neste ponto que surge a novidade, essa estratégia não parece ser o suficiente. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, demonstrou que ao adicionar certos itens ao menu pode ser tão ou mais eficiente do que fazer vista grossa com outros.

Eles atingiram esse arremate, após seguir por seis meses um grupo de 345 pessoas com colesterol alto ou no limite. Enquanto uma parte do grupo recebeu indicações para realizar uma dieta repleta de fibras, produtos provenientes de soja e mantimentos ricos em fitoesterois, a outra parte foi guiada apenas para maneirar nos alimentos gordurosos. Ao final do experimento, os resultados advertiram que o primeiro conjunto sofreu uma diminuição de cerca de 14% nos níveis de LDL , o segundo a redução foi simples, de apenas 3%.

“Esse índice de 14% é muito significativo. É, inclusive, similar ao de medicamentos usados para potencializar a ação da estatina, o remédio usualmente indicado para controlar as taxas de colesterol”, adverte Raul Dias dos Santos, cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do Instituto do Coração, o Incor, de São Paulo.

No entanto, nada disso é desculpa para rejeitar a costumada orientação de consumir brandamente os alimentos de gordura saturada. “Não adianta comer picanha todo dia e depois se entupir de soja. O ideal é apostar nas duas estratégias, ou seja: eliminar os itens considerados ruins e investir nos benéficos”, adverte a nutricionista Camila Gracia, diretora científica do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a Socesp.

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