Ciência x Fé

 

Polêmica pelo visto está se tornando a especialidade do físico Stephen Hawking. Poucas semanas depois de declarar que teremos que abandonar o planeta para sobreviver, vem Hawking a público para começar um novo debate: Deus não participou da criação do universo.

Fé e ciência foram por séculos inimigas mortais, mas vínhamos entrando em um período de aparente paz, em que pelo menos a ciência reconheceu a possibilidade da existência de conceitos antes exclusivos da fé. Pois bem, pelo visto a trégua acabou. Dentro de alguns dias o físico estará lançando mais uma obra, intitulada “The Grand Design”, onde defende que o universo é fruto de criação espontânea, obra do mais puro acaso.

Algumas pessoas não acreditam em Deus (foto: Divulgação)

Hawking é um cientista, um dos maiores de todos os tempos, e merece nosso respeito e reconhecimento pelo seu trabalho, mas pessoalmente não entendo sua atual batalha para tentar tirar algo que muitas vezes é tudo o que algumas pessoas têm: sua fé. Não sou religiosa embora tenha minhas crenças, mas acredito no equilíbrio, algo como religiosidade sensata, por exemplo.

Fanatismo religioso é algo muito negativo; é o fanatismo que gera “guerra santa”, violência e caos em nome de um Deus muitas vezes mais algoz do que “pai”, mas a fé ainda é algo importante na vida de quem a tem. Claro que uma pessoa religiosa não vai deixar de fazer suas orações porque um físico declarou que Deus não existe; ele não é o primeiro e nem será o último a fazer isso, mas se sua intenção, como o próprio declarou, for realmente fazer “triunfar a razão”, seus planos já nascem frustrados.

Crer ou não em Deus é uma opção e um direito de cada um; assim como Hawking não vai convencer um católico fervoroso que Deus não existe, o Papa também não convenceria o físico do contrário, e provas científicas não possuem valor quando não se quer acreditar nelas, assim como as metáforas da Bíblia nada são além de fábulas para quem opta pela ciência.

Embora não discorde da atitude do físico em pesquisar e divulgar suas conclusões, uso o gancho da notícia para questionar a força da ciência e a força da fé na vida de cada ser humano. Crer no lógico, no racional, não deixa de ser uma crença, uma questão de fé tanto quanto qualquer religião e, assim como qualquer cientista, um fanático religioso justifica sua fé baseado em argumentos dos quais ele efetivamente acredita; tanto um lado quanto outro é absolutamente inabalável.

Acredito na importância da fé e da religião, embora discorde dos métodos e atitudes de algumas igrejas; acredito na importância da ciência para chegarmos ao nível de evolução que estamos hoje, mas acredito sobretudo no respeito que deveria ser matéria-prima de qualquer uma das duas, coisa que infelizmente não acontece muito. O que vemos mais por aí são pessoas se matando em nome de sua fé esquecendo que em todas as religiões Deus prega o amor e o respeito; o que vemos mais por aí são pessoas adotando sua fé como verdade absoluta e tentando impô-la sobre os demais.

Fico curiosa com a nova obra de Hawking, creio que pode sim nos acrescentar muito, mas sigo defendendo o equilíbrio. Fé e ciência, sem cegueiras e fanatismos, são os pilares da civilização quando adotados na medida certa. Se Deus existe ou não eu não sei, nem Hawking, nem o Papa, mas aquilo que acreditamos deve ser o fruto da nossa fé, da nossa razão e principalmente do nosso bom senso.

Maya Falks

 

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

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