Café pode sumir em 70 anos, diz pesquisa

Dentro de 70 anos, as pessoas podem deixar de tomar o típico cafezinho porque o grão vai desaparecer. Esta foi à conclusão do estudo…

Dentro de 70 anos, as pessoas podem deixar de tomar o típico cafezinho porque o grão vai desaparecer. Esta foi à conclusão do estudo desenvolvido pelos pesquisadores do Royal Botanic Gardens da Grã-Bretanha juntamente com os cientistas da Etiópia. Os resultados foram divulgados na revista científica Plos One na última quarta-feira (7).

A bebida favorita do mundo pode entrar em extinção. (Foto:Divulgação)

O cafezinho pode se tornar uma raridade no futuro

Para sustentar a ideia de que o café pode desaparecer do cardápio, os estudiosos consideraram as ameaças que as terras produtivas já sofrem por causa das alterações climáticas. De acordo com análises, as áreas onde as plantas desta espécie crescem naturalmente podem ficar impróprias até 2080.

As principais terras responsáveis pelo cultivo de café podem ficar inférteis devido à elevação da temperatura do planeta. Esta condição é uma consequência da grande carga de gases poluentes que é liberada através da queima de combustíveis fósseis.

A constatação da nova pesquisa foi surpreendente, afinal, os cientistas descobriram que entre 38 e 99,7% das áreas adequadas para plantar café da espécie arábica podem desaparecer do mapa.

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Os efeitos das mudanças climáticas vão prejudicar o cultivo do café em 2080. (Foto:Divulgação)

A ausência de condições climáticas para o cultivo do grão é um mal do aquecimento global e do efeito estufa. Para avaliar o risco do café devido à inadequação do habitat, os pesquisadores projetaram três cenários possíveis, considerando as paisagens da Etiópia e do Sudão do Sul em 2020, 2050 e 2080.

Depois de avaliar os cenários, os pesquisadores concluíram que a maior ameaça está em 2080, pois o café da espécie arábica pode entrar em extinção na natureza. O estudo considerou apenas os efeitos das mudanças climáticas, mas não levou em conta outros fatores que podem influenciar no acesso a bebida favorita do mundo, como qualidade e produtividade do grão.

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A arábica selvagem, encontrada no Sul da Etiópia, se revela uma espécie muito importante para manter a indústria do café, devido a sua diversidade genética. Estima-se ainda que ela corresponda a 70% da produção e consumo de café no mundo.

De acordo com Aaron Davis, principal responsável pela pesquisa, a possibilidade de extinção do café arábica é assustadora e preocupante. No entanto, ele acredita que o estudo não deve servir para alarmar os consumidores do cafezinho de cada dia, mas sim estimular ações necessárias para preservar o grão e evitar o mal previsto para 2080.

O café da espécie arábica é predominante no Brasil

O café arábica selvagem é o mais cultivado no Brasil. (Foto:Divulgação)

Embora o Brasil não seja o habitat natural do café arábica selvagem, o país é considerado o maior produtor mundial desta espécie, segundo informações da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). Somente na safra de 2011, foram produzidas 36,82 milhões sacas do grão arábica, representando assim 76% de toda produção do café nacional neste período.

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