Cabo de guerra

Esticar a Corda

Sabe aquela brincadeira em que duas ou mais pessoas se dividem e puxam uma corda, ganha quem derrubar o(s) adversário(s)? Pois é, a eleição presidencial desse ano virou um cabo de guerra. Quem ganha com isso? Sinceramente não sei, até agora a gente só saiu perdendo.

Descontando uma meia dúzia de radicais que não enxergam defeitos em seus candidatos, seja direita ou esquerda, até mesmo os partidários estão começando a se exaurir dessa brincadeira sem graça que ambos os lados estão fazendo e tirando todo povo brasileiro para imbecil.

Eu tinha um lado bem definido, agora subi no muro porque me recuso a dar meu voto a quem me tira pra idiota manipulável, não acredito mais em nenhum dos dois e afirmo sem medo de generalizar que nosso país merecia mais do que isso, que nenhum dos concorrentes e suas assessorias estão fazendo por merecer nossa confiança.

Como poderei confiar em um candidato envolvido em escândalos e que perde mais tempo agredindo o adversário do que realmente preocupado em mostrar que não veio ao mundo a passeio? Bom, usei “candidato” no masculino por questão gramatical, porque minha descrição combina tanto com Dilma quanto com Serra.

Nenhum dos dois é santo, nenhum dos dois é vítima, nenhum dos dois é o diabo encarnado. E a essa altura, nenhum dos dois se faz digno de nos governar. Não estou incentivando o voto nulo ou branco, embora eu pretenda apelar para isso, fico até contente vendo pessoas preservando suas ideologias apesar de toda essa palhaçada; o meu objetivo aqui é protestar contra essa piada sem graça que virou a campanha eleitoral desse ano.

Essa coisa do, como diria um amigo meu, “você é chato, feio e bobo” passa muito longe da seriedade que o cargo ao qual os candidatos disputam exige. Infelizmente não podemos dizer “vote no beltrano, e não no fulano e cicrano que ficam se carneando na TV”, mas temos o direito de bradar em nosso favor: vamos acabar com essa palhaçada!

Então, camarada candidato, quando você fala “não vote no meu concorrente por isso, isso e aqui” eu te respondo: eu não voto em você! Como os dois estão fazendo isso, e aqui não interessa quem começou ou quem disse o que porque nenhum é inocente, ficamos realmente mal de opções. O que nos resta é torcer que o vencedor dessa disputa ridícula amadureça antes de vestir a faixa de presidente; nosso país não é playground para ficar as duas criancinhas se jogando areia nos olhos e apontando o dedo.

Que fique a lição aos futuros candidatos a qualquer outro cargo: o Brasil não precisa de trincheiras, precisa de gente que leve o povo a sério, coisa que nenhum dos presidenciáveis parece entender. Bom, talvez pela primeira vez tenhamos dois candidatos no mesmo nível; infelizmente no nível mais baixo que ambos conseguiram alcançar. Civilidade e respeito não faz mal a ninguém.

Maya Falks

Maya Falks

Maya Falks é escritora, publicitária e roteirista. Contista premiada, é editora de blog homônimo e apaixonada por literatura, música, cinema e propaganda, sendo devotada às palavras em suas mais diversas manifestações.

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