Biquíni Explosivo

Ao longo da história, as mulheres com pouca roupa sempre irão existir, e suas marcas estão aí para todo mundo ver. Mulheres desnudas revelando…

Ao longo da história, as mulheres com pouca roupa sempre irão existir, e suas marcas estão aí para todo mundo ver. Mulheres desnudas revelando seus corpos eram vistas em diversos lugares, em Roma, na Grécia e na África, em ilhas pelo mundo afora.

Mosaico da Sicília - Bikini Girls

Mas duas peças de pano eram usadas com freqüência pela mulherada em uma época de outrora, datada no período Dioclesiano 286-305 antes de Cristo, no mundo Greco-Romano. Na Sicília, um mosaico, representado por um bando de mulheres trajadas no antepassado do nosso biquíni, com o nome de Bikini Girls é datado do século 4 antes de Cristo. Elas estavam, supostamente, se exercitando com essas roupas.

O biquíni ressuscitou por volta da década de 1940, após alguns acontecimentos políticos e na moda de algumas sociedades.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, os militares norte-americanos chocaram o mundo lançando duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, exterminando milhões de japoneses. Como essas armas tinham um poder pouco conhecido, o governo decidiu que testes com bombas nucleares seriam realizados em algumas ilhas no oceano Pacifico. Ilhas habitadas por seres que, ao olhar dos militares, eram descartáveis por andarem seminus e por não possuírem uma civilização com carros e indústrias. Com esse pensamento, os nativos foram expulsos para lugares distantes e, durante 7 anos, o atol de Bikini nas ilhas Marshall, sofreu com o despejo de bombas. Os efeitos da radiação sob a região perdurou por meio século.

Foi na França, em meio à toda essa confusão nuclear, que o estilista francês Jacques Heim desenhou as duas peças e as costurou, criando o novo traje de banho. Porém, o nome de Jacques se perdeu quando o outro estilista, também francês, Louis Réard teve um insight e resolveu que o maiô deveria se desfazer em duas partes, criando, adivinhem, um novo traje de banho. Foi Louis Réard quem batizou o traje de Bikini, em 1950, devido ao bombardeio nuclear no atol de Bikini. Bela homenagem.

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Naquela época, a nudez era considerada como pecado, uma tentação. Ideias religiosas, claro, e a nudez, para milhões de pessoas, é o oposto da virtude, ou seja, todo mundo tem de cobrir bunda e peito. O biquíni, para essa gente, era um escândalo, nem as modelos queriam aparecer nos editoriais de revistas com o traje. Mostrar o umbigo, além das outras partes, era uma perversão, uma indecência. Carmen Miranda usava aqueles tops, mas não mostrava o umbigo.

O umbigo veio à mostra quase uma década depois da invenção do biquíni, na Riviera Francesa, e foi exposto por jovens ousadas e atrevidas, vamos dizer que eram as nossas piriguetes de hoje. Enquanto Marilyn Monroe usava a versão mais comportada que existia do biquíni, a francesa Brigitte Bardot arrasou aparecendo na praia de Cannes com a peça em estilo tomara-que-caia e o umbigo de fora. Praticamente uma depravada!

Brigitte Bardot em Cannes

A partir daí, outras celebrities, pin-ups e mulheres em geral aderiram ao biquíni, lutando contra o conservadorismo exagerado. Em 1960, o traje de banho “minúsculo” virou tem-que-ter.

A adequação do biquíni na vida das mulheres exigiu uma certa preocupação com o corpo. Tudo o que o maiô escondia, o biquíni mostrava. A barriga precisava não existir, a cintura precisava de definição, as pernas bem torneadas, contornos do corpo tinham de ser exuberantes.

A década de 1960 teve uma cena inesquecível no cinema, mais especificamente no filme de James Bond – 007 Contra o Satânico Doutor No – de 1962, quando a russa Ursula Andress sai do mar vestindo um modelo de biquíni icônico.

Com tudo isso, o biquíni alcançou outro conceito, o de produto beachwear. A cada temporada, a peça era renovada com estampas diferentes, tipos de recortes. E os maiôs? Bem, os maiôs eram opções só para as senhoras de mais idade.

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A era da discoteca também causou impacto na história do biquíni. No Brasil, a tanga de crochê era inventada, assim como o fio-dental, o asa-delta, o cortininha, os de amarrar do lado. Inúmeras opções ousadas que, no nosso país tropical caíram como uma luva.

Já na década de 1990, o Brasil resolveu revisitar os biquínis antigos, com estilos mais românticos e bem mais comportados. É aqui, também, que vimos a moda beachwear ganhando seu espaço, utilizando tecnologia de ponta para fabricação de tecidos, como o laser, por exemplo. O mercado voltado para a moda praia cresceu absurdamente, e marcas conceituadas se dedicam a essa categoria.

Formatos e tipos, com ou sem alça, cavado ou baixo, discreto ou ousado, enfim, o biquíni tem um mar, literalmente, de opções.

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