Bexaroteno restitui Alzheimer em camundongos, diz pesquisa

Uma droga contra o câncer restituiu ligeiramente os desempenhos cerebrais de camundongos que sofriam da doença de Alzheimer, divulgou uma análise publicada na semana…

Por Editorial MDT em 13/02/2012

Imagem: (Foto Divulgação)

Uma droga contra o câncer restituiu ligeiramente os desempenhos cerebrais de camundongos que sofriam da doença de Alzheimer, divulgou uma análise publicada na semana passada na revista Science. O anticancerígeno bexaroteno fez submergir cerca de 75% das placas beta-amiloides, uma proteína cujo acúmulo é uma das principais peculiaridades patológicas da doença. E mais, retrocedeu as consequências da doença, como a perda de memória. As conclusões apontam um progresso no que pode derivar na criação de um tratamento para a doença atualmente incurável.

Depois de três dias do começo do tratamento com o bexaroteno, os camundongos – geneticamente alterados para criar a doença de Alzheimer – começaram a mostrar desempenhos normais. “Os animais também recuperaram a memória e o olfato”, afirmou o Dr. Daniel Wesson, professor de neurociência na faculdade de Medicina Case Western, em Cleveland (Ohio), coautor da pesquisa. Ele observou que a perda de olfato é, normalmente, o principal indicativo de Alzheimer nos humanos.

Este progresso não possui antecedentes, de acordo com Paige Cramer, um pesquisador que cooperou com o estudo. Até o momento, o tratamento mais eficaz existente em camundongos demorava meses para extinguir as placas amiloides.”Nosso próximo objetivo é verificar se a estratégia funciona da mesma maneira em humanos”, adicionou o Dr. Gary Landreth, professor de neurociência na mesma instituição e principal autor da pesquisa. “Estamos ainda nos primeiros estágios para transformar esta descoberta fundamental em um tratamento”, afirmou o pesquisador.

Segundo o autor, a equipe “espera obter os primeiros resultados de um teste clínico preliminar até o ano que vem”.

Esta análise foi fundamentada na descoberta, de que a principal condução do colesterol no cérebro, uma proteína chamada ApoE (apolipoproteína E), também provoca a eliminação das beta-amiloides. Um aumento na quantia dessa proteína no cérebro acelera a destruição das placas amiloides que se aglomeram. A doença de Alzheimer se desenvolve na maioria das vezes quando o organismo, em fase de envelhecimento, perde a habilidade de extinguir a beta-amiloides que se constitui espontaneamente no cérebro.

Segundo a pesquisa, o bexaroteno reorienta as células do cérebro para que elas ‘devorem’ novamente os acúmulos de amiloides. O bexaroteno, primeiramente instituído com o nome de Targretin, foi aprovado pela FDA, (Agência Americana de Medicamentos), em 1999. Ele trata um delicadíssimo linfoma cutâneo de células T.

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