Arte de Rua

A manifestação artística é inerente a nossa condição humana. Qualquer pessoa exerce seu direito de fazer arte e, do Zezão a Manet, a distância é bem menor do que alguns imaginam. Claro que não se pode comparar os estilos, mas a arte é, antes de mais nada, o primordial meio de comunicação da humanidade.

Desde os trovadores medievais, cantando fábulas e declamando poesia, membros de trupe da Commedia Del Arte, onde Arlequins e Colombinas entretinham em praças públicas,  grupos mambembe, que cortam países levando suas história e sua cultura, a arte nasce nas ruas, e se chega às galerias do mundo todo é porque apresentam um valor se não somente artístico, também histórico. A arte é nesse contexto, nada mais nada menos que manifestações das vontades, dramas e protestos populares, que por meio dela tentam se fazer ouvir e se fazer ver.

O artista de rua é aquele que vive do povo, fazendo malabarismos em sinais, contorcendo-se em praças, cantando ou tocando instrumentos, grafitando.

Hoje em dia a arte das ruas está em alta. Os Gêmeos grafitam em Nova York, Nathaniel Ayers — músico esquizofrênico e sem-teto — ainda preenche os ares de Los Angeles, EUA, com sua música mágica (mesmo depois de ser a estrela de um filme de 2009) e pelas esquinas do mundo sempre existe alguém que parece criado para entreter.

A arte de rua tem sido levada em consideração pela moda há muito tempo. O visual anos 80 de Madonna não foi criado por ela, mas sim foi por ela absorvido das ruas e levado ao palco, como é o caso dos grunge de Seattle e suas camisas xadrez e cabelão. Por falar em cabelo, a rede espanhola Rizos cria penteados para lá de transados baseados unicamente em visuais das ruas. Nas passarelas, desde os anos 70 chegam inspirações  e tendências originárias de tribos de rua, como aconteceu com o punk, o hip hop, o skate. Assim, a moda street declara as tribos que formam as ruas e cada estilo diferente, com suas músicas, grafites e representações próprias.

Existe uma diferença enorme, culturalmente falando, sobre arte de rua, na rua e para a rua. Um exemplo? Como você classificaria uma roda de samba lá pelos lados da Lapa carioca? Samba, o símbolo musical do Brasil é uma arte de rua, quando reunidos formando um pagode na rua, fazem música e viram atração para a rua. Certo? O mesmo não vale, por exemplo, para Ademir Leão, que toca sax pelo metrô do Rio de Janeiro, seu palco, onde negocia CD´s e recebe paga pela sua arte. Ademir vive de e para a rua. Isso não quer dizer que não aceite convites para eventos, de festas de casamento a velório., passando por participações em filmes e recebendo convites para participar do Programa do Jô.

A tecnologia também dá a dica para a arte de rua. Uma parceria entre a Agência Loducca e a RedBull criou o StreetArtView, um catálogo de arte de rua do mundo todo, que você pode acessar em seu computador. Do Rio de Janeiro nos chega o website artistasderua.com.br. A Hostnet ofereceu espaço para que artistas de rua das mais diferentes vertentes (há mágicos, malabaristas, músicos, além de outros tantos), pudessem ali divulgar seu trabalho.

Se interessou? Então aprofunde seus conhecimentos em lugares onde não existem links de consulta: as ruas! Ande a pé e invés de ficar com o iPod a todo volume e com os olhos voltados para o chão, preste atenção ao seu redor.

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