A Hora de Desligar o Celular

Parece que os tempos modernos nos impuseram um doce torturador: o celular. Se, por um lado, ele facilita a comunicação como nunca, por outro,…

Parece que os tempos modernos nos impuseram um doce torturador: o celular.

Se, por um lado, ele facilita a comunicação como nunca, por outro, nos obriga a manter atenção constante nas chamadas, a responder rapidamente a qualquer contato e a dar satisfações ininterruptas de onde estamos, com quem estamos e mais, fazendo o quê!

Há pessoas com mais de um celular; outras com mais de dois, cada um com dois chips.

Segundo a ANATEL, em janeiro de 2011, havia mais de 205,15 milhões de aparelhos nas mãos dos brasileiros.

Conforme dados da agência, “A teledensidade, medida que indica o número de linhas móveis habilitadas para cada 100 pessoas, chegou a 105,74 pontos no referido mês. A maior taxa pertence à cidade de Salvador, na Bahia, que registrou 158,39 celulares para cada 100 pessoas.”

O que isso quer dizer?

Que estamos prestes a ter um ataque de nervos nacional e que as regras de boa educação, principalmente entre profissionais, estão longe de serem respeitadas.

Se você é daqueles que não desliga o aparelho de uso corporativo nem na véspera de Natal, precisa rever seus conceitos e, quem sabe, pedir ajuda a um profissional.

Agora, se você é do segundo tipo, o sujeito que liga para um funcionário ou colega na véspera de Natal, seu caso é patológico mesmo.

Para achar a medida certa é necessário que comece pensando como é que as coisas eram feitas antes do surgimento dos celulares.

Bem, para começar, existia uma coisa simples, chamada “horário de trabalho”. Além dela, uma convenção mundial das pessoas de boa educação que não permitia que ninguém fosse incomodado depois do expediente, com situações que poderiam ser resolvidas de segunda à sexta, entre 8:00 e 17:00 horas. Casos urgentes, imprevistos, incêndios e “pepinos” demandavam solução imediata, com duas opções: ou cada um tentava, de verdade, resolver o problema sem chamar outra pessoa, ou entrava em contato com quem solucionaria a questão, de uma forma tão desconhecida para os padrões modernos, que isso nem parece ter acontecido, no máximo, há 15 anos:

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–  Sr. Márcio, boa noite, é o Celso da portaria da fábrica. Pode ficar calmo que não é nada grave… Mas é que aconteceu uma coisa que não conseguimos resolver sozinhos

Era indispensável incluir o “não é grave”, porque qualquer um em sã consciência, sabia que, ligar para a casa de alguém depois das 19:00 horas, se ele não fosse obstetra, seria indício de tragédia…

Notou como os valores foram substituídos por outros que não nos agradam, mas os quais engolimos sem água, a seco?

Se você tem saudade de sua privacidade, tome uma atitude. Se não conhece o que é privacidade, porque já entrou no mercado de trabalho na era D.C. – depois do Celular – saiba que é uma sensação tão agradável que depois de conhecê-la não pensará em voltar aos velhos padrões.

Algumas dicas para estabelecer limites:

  • se não fizer parte do seu contrato de trabalho, ficar 24 horas disponível, coloque seu aparelho corporativo no modo de desligamento automático, depois da saída do escritório e nos finais de semana;
  • avise seus colegas, funcionários e superiores que, em caso de necessidade de ser encontrado, o meio de fazer isso é através do telefone de sua casa. Tenha certeza de que as pessoas pensarão duas vezes antes de ligar em horários inconvenientes;
  • prepare uma lista “e se… faça isso…” e distribua para os subordinados, dando liberdade para que tentem resolver os problemas antes de ligarem para você.

Apenas depois que mudar a forma de agir em relação à privacidade, você perceberá o quanto estava estressado com isso, e nem sabia!

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