A influência das Redes no desenvolvimento da blogosfera
Chegou o esperado momento, o resultado da segunda etapa do debate da Blogosfera crido pelo Wagner Fontoura do Boombust.
O Tema proposto foi - A influência das Redes no desenvolvimento
Debatedores Convidados:
o Lucia Freitas (Ladybug Brasil)
o Leonardo Faoro (MeioBit)
o Calebe (Gattune)
o Jobson Lemos (Secundum)
Rebatedor Convidado:
Blog convidado para veiculação do debate:
Dado o caráter “anárquico” ainda associado no Brasil à blogosfera, não houve exatamente neste grupo aquilo que poderÃamos chamar de “mesa redonda” - esteve mais pra “eu quico a bola, vocês chutam”, mas funcionou e aqui está o resultado.Lúcia freitas postou previamente algumas elucubrações, Jobson igualmente o fez no fórum do Secundum, Calebe, de LAM e LAM foi postando e interagindo com os artigos dos outros dois e Leo Faoro mandou um “problemas de última hora me impedirão de colaborar com o debate” (o que levou nosso rebatedor à s raias da loucura e a sair “catando papel em ventania no velho estilo “PQP, pra que que eu fui inventar isso?!” rs). Mas funcionou - vejam:(*) Obs: Quem entender que nem todas as perguntas foram devidamente respondidas e quiser deixar sua colaboração nos comentários ou em postagens próprias, que sinta-se a vontade - será muito bem-vinda e útil ao debate.
- Perguntas do jornalista Jobson Lemos ao grupo e as respostas dadas:
“As redes são ótimas para atrair participantes, mas ainda não tão eficazes para cooptar audiência, digamos, “comum”. Como tornar as redes atraentes ao usuário comum?A que distância estamos de um verdadeiro e livre Portal de Blogs Independentes?E o quanto chegar a isso seria bom ou ruim?”
- Calebe AiresResponde:Bom, talvez eu tenha entendido suas indagações não do modo como você quis, mas enquanto entendi, tentarei montar alguns pensamentos!Sobre o usuário comum, acredito que no Brasil é ele o maior participante de redes de amigos, talvez não de links, como o Del.icio.us, de Profissionais, como o Via6 ou de promoções de links como o Rec6, mas em redes como o Orkut sua presença se faz pela maioria. Parece que os próprios blogs são os que inserem essas redes no cotidiano dos usuários, visto que eles implementam em seus diários ferramentas e dispositivos que remontam o elo entre elas e suas publicações. São aqueles links que os levam para armazenar as publicações nas plataformas de redes de links e promoções de links. Assim, acredito que os blogs já fazem o seu papel tornando estas redes mais conhecidas, pois viabilizam que seus leitores as acessem por meio de links no próprio blog.Se bem entendi a segunda pergunta, meus comentários são: Quando você disse portal, logo me veio à mente o Interney Blogs. Quando você disse independente, pensei em duas linhas, um portal livre de publicidade ou um portal livre para qualquer publicação. Do primeiro posso extrair que ao discuti-lo entrarÃamos na questão de ser ou não correto a veiculação de publicidade, e aqui já respondo que sou plenamente a favor desse recurso como auxÃlio e manutenção de um possÃvel portal. Quanto à publicação, acredito que o próprio Interney Blogs, como portal, escolheu seus parceiros a dedo, já se fazendo por via de um filtro. Qualquer portal que surgir, terá um mecanismo de avaliação para que um blog e seu conteúdo possa ser veiculado. Agora, falando de um portal livre e, de certo modo, independente, acredito que o próprio Blogger, da empresa Google, cumpre esse papel, enquanto oferece uma plataforma sobre um domÃnio para que qualquer pessoa monte o seu diário virtual. Mas indo mais a fundo na proposta que você montou com esta pergunta, se avaliarmos o Secundum, do qual você é parceiro administrador, já vejo nelo caracterÃsticas de um portal, visto que une diversas fontes, sobre diversos temas, em um espaço convergente de conteúdo. Assim, sendo de um formato ou de outro, um portal trabalha sobre a égide de levantamento de recursos para sua própria manutenção; agora o conteúdo pode ser aberto ou não, trata-se da escolha do público a quem ele pretende atingir
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Lúcia FreitasResponde:
Jobson e Calebe… Redes são muito maiores que os nossos blogs, isolados ou em portais, tanto faz. Redes são relacionamentos, são ligações, trocas, colaboração. Isso que estamos fazendo no debate cria uma rede. O Boombust tem sua rede. Mas não basta estar, como provam os números do Digg - é preciso participar. Redes são feitas de gente. Hoje a separação entre quem produz (”blogueiros”? não necessariamente) e quem consome sumiu. Graças à s ferramentas, todos nós podemos ser produtores e consumidores. Esta é a graça e a liberação. Quem está na internet? Há milhões de usuários out there. Detalhe: os de lÃngua portuguesa são apenas uma Ãnfima parte - algo entre os 33,1 e os 49 milhões… Mesmo assim o Brasil é o 5o. paÃs que mais lê blogs. Números podem ser tudo ou nada. Criar rede? Importante, importantÃssimo. Mas é “só” para ter leitores? Eu quero rede pra links, pra dicas, pra bater papo… os leitores que venham - eles vêm, na minha opinião, quando todas estas outras coisas são atendidas.Perguntas da Lúcia Freitas ao grupo e as respostas dadas:
“Redes… Uêba, Via6, Digg-like, twitter, del.icio.us, flickr, listas de discussão, fóruns, rss. Todos nós usamos tudo isso para nos alimentar - seja de leitores, seja de matéria-prima para posts. Se usamos as redes, também fazemos parte delas. Nós as fazemos, com nossos afetos e desafetos, participações (generosas e egoÃstas). É nelas que vemos nossos leitores chegarem perto. Vocês não acham que é uma nova camada de conhecimento, um verdadeiro work in progress, onde o que há de melhor e pior das relações humanas se revela?Já se disse que os grupos virtuais são os seus maiores inimigos - e nós todos já vivemos os flames que resultam disso. Na “blogosfera”, esta entidade sem limites não existem os tais moderadores ou gerentes de comunidade. Eu fui (e sou) contra o código (raso) de conduta que o O’Reilly propôs. Mas conforme o caldo blogueiro engrossa, pode ser que a gente precise, sim, de um código. Vale? Não vale? O que vocês acham?Vocês acreditam que a nossa expertise em garimpar e publicar notÃcias cria diferenças? Quais?
Qual a função de uma rede?”
Resposta do Jobson Lemos:”
Como jornalista profissional vou me ater a dois pontos: a garimpagem, como você colocou e a audiência.É fundamental para qualquer comunicador sistematizar sua apuração, estabelecer fontes mais ou menos confiáveis e editar o material deixando passar apenas o que é de fato interessante e novo. Disso resulta que cada um acaba construindo ou arruinando a credibilidade de sua informação.E é aà que entra a audiência. Na medida que sua credibilidade cresce, seu público fiel também aumenta e dá a seu trabalho uma longa vida e novas perspectivas.O código de conduta acaba por ser esse, adaptado à s ambições de cada um.Escrever para um nicho, para os amigos? Ou ser de fato uma fonte de infomação para a sociedade? Eu particularmente acredito que não haverá a prevalência de alguns sites, mas a combinação de diversos blogs a alimentar de informação a internet.”
Réplica da Lúcia:“Primeiro ponto: comunicar não é privilégio de nenhuma profissão - é coisa de mamÃferos de sangue quente, que precisam nutrir suas crias. Entre nós, humanos, comunicação é algo bem mais sofisticado do que apurar, cativar fontes e editar bem (trabalho lindo, que adoro, diga-se). É descobrir e nutrir conexões, manter uma rede funcionando, operar as mudanças, criar valores.Lembre: estamos discutindo a influência das redes na blogosfera.Já ouvi muito a expressão “criar presença na internet/web”. web é teia, rede pura. Como criar um nodo, um ponto onde você existe?Para você, jornalista, é informação bem-apurada. é isso? Só? Quais os comportamentos que interferem nisto?”
Calebe disse…
Jobson, Lúcia!Tenho uma dúvida com relação ao que você disse sobre “não haver, no futuro, a prevalência de alguns sites, mas a combinação de diversos blogs a alimentar a informação da internt”Acredito que o formato blog já possui sua inserção nos grandes sites, cada vês mais vejo que eles aderem à “literatura” mais pessoal. Já a credibilidade está justamente no passado do blog, quando este já é responsável por publicações que são válidas e reais, a credibilidade se insere no contexto de que um blog, assim como o “jornal”, é capaz de publicações tão exemplares quanto este. Agora, atentemos para blogs como o formato do novo-mundo.org e seu similares; acredito que nestes blogs não há o que se falar em credibilidade, visto o seu conteúdo que não exige tal aspecto, seu entretenimento singular e pessoal já faz por si um leitura “fiel” aos seus próprios fins: a pessoalidade de suas publicações. (Não quero dizer que o Novo-Mundo não tem credibilidade, quero dizer que a credibilidade em si, somente comporta determinados tipos de informações.Quanto ao código, como dizer de um código se “diários virtuais” podem ser feitos por qualquer um, a qualquer tempo, sobre qualquer tema*. Blog, justamente por ser pessoal, terá seguidores fieis, sendo o seu dono adepto ou não de uma Conduta Definida. Acredito que não há o que se dizer de um Código - Essa é minha visão, “até o momento”.
Eis o parecer do Rebatedor sobre as questões levantadas e seu próprio ponto de vista sobre o tema:
As redes sociais não cumprem apenas uma função, mas inúmeras. Dentre elas, integrar pessoas com interesses convergentes, criar canais de comunicação de mão dupla, promover pessoas, idéias, produtos e serviços, dar velocidade à s informações, disponibilizar instrumentos de trabalho colaborativo e (por incrÃvel que possa parecer) privacidade no trânsito de relacionamentos - o que, é claro, só acontece para aqueles que sabem usar as ferramentas que as boas redes já disponibilizam. Mas há muitas outras funções ainda - algumas já disponÃveis, outras a serem criadas. A grande maioria de nós fala muito em web2.0 mas não a vive plenamente - vive marginalmente, usufruindo se uma beirada apenas de todas as possibilidades de interação e colaboração possÃveis, seja por preguiça, por ignorência ou por incompetência mesmo. As redes poderiam deveriam ser o Ãcone maior desse estágio da web colaborativa. No estágio de refinamento semântico, elas, de novo, poderão ser o principal veÃculo de colaboração virtual. Aliás, até diante da importância dos blogs como mÃdia elas deverão ter papel preponderante no fortalecimento deste processo. E nesse sentido, organizções como a InterNey blogs sairam na frente (ninguém percebe isso?!).
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“Sim, uma nova camada de conhecimento se forma a partir das redes, mas não só isso. Novas camadas de mercado vão sendo formadas, criando oportunidades que já começam (embora no Brasil, ainda timidamente) a ser aproveitadas.”
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Conforme o caldo engrossa vão surgindo, sim, moderadores, facilitadores, modeladores dessas oportunidades criadas pelas redes. Esses moderadores vão, eles mesmos, formando suas redes pessoais e profissionais. Já hoje, se você não modera uma rede, você faz parte de uma. Se você está lendo esse artigo é porque deve fazer parte do grupo de pessoas que já foi envolvido pela onda das redes. A sociedade moderna é organizada em redes - ninguém é uma ilha.
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Não há, a meu ver, nenhum sentido e é, antes, um contra-senso questionar a importância das redes sociais. Vejo blogs que são redes fazendo isso. Vejo pessoas fazendo isso de dentro de comunidades virtuais. Acho patético (e se não for patético é tentativa manipulação de usuários - só pode ser). É como se dizer “contra a globalização” - faz alguma diferença ser a favor ou contra coisas desse tipo? Se eu achar que a chuva tem que “cair pra cima” tem alguma chance disso acontecer? Bobagem.
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Além dos já citados InterNey Blogs, Via6, Orkut, Rec6, e seus similares, há blogs que são sim, de formas diversas entre si, verdadeiras redes (será que todo blog não é, por si só, uma rede de leitores em torno de uma “casa virtual”?). A Revista Papo de Homem é uma rede, o Boombust é sim uma rede, o MeioBit é uma rede, fóruns são redes, organizações como o BlogCamp são uma rede, diversos blogueiros têm mais de um blog (uma rede). Que história é essa, então, de “não tô entendendo”?Você encontra mais sobre o posicionamento dos membros do grupo e de alguns outros recentemente publicados sobre algumas redes, de forma genérica nos links abaixo:
- http://oitopassos.com/2007/08/15/cuidado-com-as-redes-sociais/
- http://www.meiobit.com/interney_lanca_portal_de_blogs_profissionais
- http://www.meiobit.com/facebook_o_que_h_de_especial
- http://www.boombust.blog.br/?p=222
- http://blog.fabioseixas.com.br/archives/2007/08/ranking_de_twitters_brasileiros.html
- http://www.blog.ljunior.com/2007/08/17/conteudo-vs-quem-cadastrou/#comment-966
- http://novo-mundo.org/log/2007/08/17/twitter-e-coisa-de-viado/
- http://www.boombust.blog.br/?p=197














Existem a meu ver redes “naturais” e redes “sintéticas”. Assim como podemos encontrar redes naturalmente formadas por grupos afins, constituÃdas do mesmo tecido e com objetivos de pescar a mesma espécie de peixe, existem redes artificiais ou sintéticas, constituÃdas com tal heterogeneidade de tecidos e tamanho de malha que pegam todos tipos de peixe possÃveis.
Apesar disto ser extremamente benéfico para a rede em si, que poderá vender anchovas, tainhas, robalos e até camarões, acaba sendo maléfico do ponto de vista ecológico, pois não respeita as necessidades dos pequenos pescadores.
Toda força instituinte busca, em geral, tornar-se instituição. Essa “força que vem de baixo” é fundamental para abalar as estruturas do ordinário e do conhecido para gerar o novo. Entretanto, durante o processo temos dificuldade em perceber a contrução de uma nova instituição - que será alvo de novos ataques das novas forças constituintes a se estabelecer.
De que lado queremos ficar? Quais são as redes que devemos manter? Redes naturais, de construção mais lenta mas “ecologicamente sustentável” ou redes sintéticas, como descrito anteriormente?